A associação cívica Mãos Livres denunciou hoje que dezenas de fiéis da seita religiosa “A luz do mundo” continuam a ser perseguidos e detidos, três meses depois do massacre (perto de mil mortos) que, no Huambo, as forças policiais e militares levaram a cabo contra os elementos da organização.

E m comunicado, aquela associação afirma tratar-se de uma “acção coordenada das autoridades” para “impedir que a igreja ‘A Luz do mundo’ se reorganize e os seus crentes continuem a rezar”, o que “viola” a Constituição angolana na “liberdade de consciência, de crença religiosa e de culto”.

Advogados da Mãos Livres assumiram em Junho a defesa de Julino Kalupeteka (e outros elementos daquela igreja), líder e nome pelo qual também é conhecida a seita, detido preventivamente na sequência dos confrontos no monte Sumi, na Caála, província do Huambo, que levaram à morte, segundo a versão oficial, de nove polícias e 13 fiéis, a 16 de Abril.

Outras versões, desmentidas pela polícia angolana, apontam para centenas de mortos na sequência destes confrontos, com os pedidos de uma investigação internacional independente a serem negados pelo Governo que, entretanto, transformou o local em zona militar, impedindo assim a entrada de investigadores independentes.

Segundo aquela associação de activistas e advogados angolanos, as novas prisões efectuadas em Julho – apontando casos no Huambo, Bié, Huila e Benguela – decorrem da “deliberação dos órgãos superiores da Polícia Nacional e da Procuradoria-Geral da República [PGR]”, mas “fora” do âmbito do flagrante delito.

Esta posição surge depois de advogados da Mãos Livres terem realizado visitas de campo em várias províncias, com o objectivo de reconhecer as condições dos fiéis daquela seita, tendo concluído, além da detenção de novas dezenas destes elementos, também há casos de casas de seguidores destruídas, torturas, buscas policiais não autorizadas e outras alegadas violações dos direitos humanos.

“As autoridades prisionais têm impedido que os advogados e membros da Mãos Livres tenham contacto com os presos, e, desta forma, não se conheça o número real de cidadãos nas cadeias por razões religiosas. Todavia, dos números que nos chegam, podemos afirmar que mais de uma centena de fiéis da igreja ‘A luz do mundo’ encontram-se encarcerados”, escreve a associação.

A Mãos Livres defende que é necessário que a PGR “se pronuncie de forma clara quanto às prisões ilegais”, que diz serem “realizadas por perseguição religiosa”, apelando à comunidade internacional “para que se empenhe na protecção” destes seguidores, “vítimas de perseguição religiosa”.

No acampamento em que aconteceram os incidentes de Abril, no monte Sumi (Huambo), estariam concentrados milhares de seguidores, sendo esta seita conhecida – segundo a versão oficial mas desmentida pela própria Kalupeteka – por travar as escolarização ou vacinação dos fiéis, advogando o fim do mundo em 2015.

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