O líder do Parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, voltou hoje a exortar os dirigentes do país para tudo fazerem no sentido de acabarem os golpes de Estado, para que se possa promover a justiça social.

C ipriano Cassamá falava em representação do Presidente guineense, José Mário Vaz, nas comemorações dos 56 anos do massacre de Pindjiguiti, feriado nacional que assinala o assassínio de marinheiros da então Casa Gouveia, que reclamavam aumentos salariais.

Há dados contraditórios sobre o número de marinheiros mortos no que ficou conhecido como o massacre de Pindjiguiti, que marcou, na historiografia guineense, o início da luta armada pela independência do país.

Do lado guineense do então movimento de libertação, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), aponta-se para cerca de 50 mortos e uma dezena de feridos e parte da então administração colonial portuguesa fala-se em cerca de 20 mortos.

Volvidos 57 anos, o presidente do Parlamento guineense, Cipriano Cassamá, afirmou que a melhor forma de render homenagens “aos heróis e mártires de Pindjiguiti é promover a paz e o desenvolvimento económico” no país.

“Foi em nome do desenvolvimento económico, da justiça social que lutaram e foram massacrados os nossos irmãos aqui no porto de Pindjiguiti”, observou Cipriano Cassamá.

Para o líder do parlamento guineense, se há 56 anos a luta “era contra a opressão dos colonialistas, hoje ela é pela consolidação da liberdade e da democracia” dentro de um clima da paz e da estabilidade.

“Já tivemos golpes e contragolpes a mais no nosso país. Já chega. Basta de golpes de Estado”, vincou Ciprano Cassamá, recebendo palmas dos presentes.

O líder do parlamento guineense disse que a sua instituição “quer que sejam saradas as feridas” no país daí ter criado uma Comissão da Reconciliação Nacional e espera que os atuais poderes eleitos levem os seus mandados “até ao fim”.

Recorde-se que, por exemplo, no dia 29 de Dezembro de 2014, Cipriano Cassamá violou todas as regras, ditas democráticas e civilizacionais, que vigoram – entre outros países – em Angola, ao dizer que pretendia em 2015 uma aproximação da instituição que dirige com os jornalistas para “moralização da sociedade e combate à corrupção”.

É evidente, reconheça-se, que a sociedade do MPLA não precisa de moralização, tal como o país não precisa de combater algo que não existe – corrupção.

Num encontro de confraternização com os jornalistas na Assembleia Nacional, Cipriano Cassamá pediu aos jornalistas que se juntem “aos esforços” do Parlamento para fiscalização da acção governativa, moralização da sociedade, das más práticas dos agentes públicos e denúncia da corrupção.

Ver o Presidente Eduardo dos Santos, ou qualquer outro dos seus vassalos, a pedir a ajuda dos jornalistas para fiscalizar a acção governativa é tão possível como ver um bagre a subir a uma palmeira.

Aliás, o regime do MPLA rege-se por outras variantes da acção governativa que, no essencial, fazem dos angolanos meros escravos às ordens do senhor feudal, a quem tudo é permitido. É claro que, no que tange aos jornalistas, esses são uma subespécie que importa incluir rapidamente na cadeia alimentar dos jacarés.

Recorde-se que o líder do Parlamento guineense pediu mesmo que haja “uma cumplicidade” entre o hemiciclo e os jornalistas na persecução daqueles objectivos, que disse serem comuns às duas instituições.

Cipriano Cassamá tem uma visão distorcida do que é a democracia e um Estado de Direito, ao contrário de José Eduardo dos Santos. Os guineenses esquecem-se que, afinal, o regime angolano segue as directrizes estratégicas das mais evoluídas democracias do mundo, caso da Coreia do Norte e da Guiné… Equatorial.

Cipriano Cassamá afirmou ainda algo que está nos antípodas de Angola. Disse ele que não pretende colocar em causa a liberdade e independência dos jornalistas, realçando que o seu papel “é imprescindível para a afirmação da democracia” na Guiné-Bissau.

Jornalistas indispensáveis para “a afirmação da democracia”? O homem é matumbo, terá comentado Eduardo dos Santos.

“Não há democracia sem verdadeira liberdade de expressão que é garantida pelos órgãos de comunicação social e pelos jornalistas”, observou Cipriano Cassamá, que espera que 2015 seja um ano de consolidação institucional do Estado guineense e que traga “mais qualidade democrática” no próprio Parlamento.

O presidente do Parlamento agradeceu a cobertura mediática que o órgão legislativo tem tido e prometeu trabalhar com o Governo para a melhoria das condições laborais dos jornalistas do país.

Tudo leva a crer que Cipriano Cassamá será, se teimar nestas ideias, considerado persona non grata… em Angola.

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