O presidente executivo da Sonae, Paulo Azevedo, disse hoje nada ter a avançar sobre o projecto de retalho em Angola por aguardar ainda “qualquer confirmação ou desmentido formal” sobre a alegada saída de dois altos quadros para uma sociedade de Isabel dos Santos, a Condis.

“S obre Angola temos muito pouco para dizer porque não conseguimos, até agora, obter qualquer confirmação ou desmentido formal e não vamos estar a elaborar cenários sem o nosso parceiro nos dizer se assim é ou não”, afirmou Paulo Azevedo durante a apresentação das contas de 2014 da empresa, que decorreu no Porto.

Em causa está o alegado mau estar criado na parceria entre a Sonae e a rainha Santa (Isabel dos Santos) para a construção de uma rede de hipermercados Continente no nosso país, na sequência da saída de dois quadros de topo da empresa portuguesa para trabalharem num grupo de retalho angolano daquela empresária.

“Para fazer os próximos passos que estavam combinados é preciso uma resposta. Não vou comentar cenários nem especular sobre o que não sabemos”, acrescentou Paulo Azevedo, escusando-se a avançar mais pormenores.

Já relativamente ao eventual impacto deste episódio na parceria entre a Sonae e Isabel dos Santos em Portugal, onde repartem o controlo da empresa de telecomunicações portuguesa Nos, o administrador executivo da Sonae, Ângelo Paupério, disse não ver “razões” para que esta ”não venha a continuar a funcionar”.

“A Nos é uma empresa cotada que tem todos os seus órgãos a funcionar. Já houve reuniões do Conselho de Administração depois deste problema ter vindo a público e não vejo razões para que, aí, a parceria não venha a continuar a funcionar”, sustentou quando questionado pelos jornalistas.

No passado dia 25 de Fevereiro, o jornal português Público noticiou que dois altos quadros da Sonae – Miguel Osório e João Seara – iriam trabalhar numa sociedade de Isabel dos Santos, mas desde então a Sonae vem afirmando não ter qualquer “confirmação ou desmentido formal” sobre o efectivo destino daqueles profissionais.

O diário citava uma nota interna enviada pela Sonae a um círculo restrito de colaboradores do segmento da distribuição a informar que ia encetar “todas as medidas legais possíveis” contra os dois quadros de topo “com acesso a informações internas relevantes”, em particular sobre o projecto de investimento da cadeia de hipermercados Continente em Angola.

Determinando que Miguel Osório e João Seara foram “suspensos ou demitidos”, o grupo português acusa-os de terem tomado “decisões de extrema gravidade e deslealdade” depois de se terem “comprometido a assumir funções noutro projecto em Angola”, num quadro de «ruptura com a Sonae e com os contratos e acordos em vigência”.

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