O director da consultora Deloitte em Angola considerou hoje que as autoridades angolanas têm consciência dos “tempos difíceis que se aproximam”, mas salientou que as empresas, de uma forma geral, continuam a estar interessadas em investir no país.

“A s empresas continuam a querer investir, porque quando tomam decisões de investimento já pensam nestes problemas, portanto continua a haver pedidos de trabalho e interesse em investir no país, principalmente de entidades externas, mas é um facto que as autoridades angolanas têm a noção de que vêm aí tempos difíceis”, disse António Pereira em declarações à Lusa, em Lisboa.

“Não temos diminuição de trabalho na nossa prática”, acrescentou o responsável da Deloitte em Angola, notando que “é uma excelente oportunidade para quem quer apostar no sector não petrolífero do país, que está a ganhar importância na sustentação do crescimento económico de Angola, principalmente num contexto de diminuição do preço do petróleo e consequente quebra das receitas fiscais”.

“O mercado está a ajustar-se, continua a haver interesse em Angola, mas agora com expectativas de crescimento mais conservadoras, aliás o próprio Presidente da República, logo em Outubro, no discurso anual [perante a Assembleia Nacional], ajustou as expectativas, dizendo que iria reduzir o investimento, apostar em sectores prioritários, portanto ele próprio desceu as expectativas, o que mostra que as autoridades têm consciência de que vêm aí tempos mais difíceis”.

Para este consultor radicado em Angola há vários anos, as notícias das últimas semanas relativamente a falta de divisas estrangeiras, nomeadamente dólares, atrasos nos pagamentos às empresas estrangeiras, dificuldade em transferir dinheiro para fora do país e suspensão de obras não podem ser generalizadas, não porque não sejam verdade, mas sim porque “não há dados concretos”.

“Todos nós ouvimos falar da falta de divisas, mas não há dados, portanto é difícil saber de que forma esta é uma realidade abrangente, até porque há muitos processos que podem estar mal instruídos e Dezembro e Janeiro é uma altura tradicional de férias, mas pessoalmente penso que não se deve criar grande alarme sobre isto, porque as autoridades estão a tentar tomar medidas para resolver os problemas”, conclui António Pereira.

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