Na sua qualidade de DDT – Dono Disto Tudo (Presidente da República, presidente do MPLA e Chefe do Governo) José Eduardo dos Santos limitou importação de produtos de primeira necessidade a dois milhões de toneladas este ano.

P ortugal, que exporta quase 30% dos seus bens agrícolas e alimentares para Angola, não achou piada mas, como habitualmente, rendeu-se ao poder económico do regime e ao que ainda sobra, e que não é pouco.

José Eduardo dos Santos, no uso de todos os poderes legais que ele próprio estabeleceu, assinou no passado dia 23 um decreto-executivo que define isso mesmo. Um limite máximo para este ano a importação de dois milhões de toneladas de artigos de primeira necessidade.

A medida, de acordo com a análise do Presidente da República e que está em sintonia com o que pensa o líder do Governo e o Presidente do MPLA, pretende impulsionar a diversificação da economia nacional, dependente quase a 100% da produção de petróleo e cujas receitas estão actualmente em quebra devido à baixa da cotação internacional do barril de crude.

No caso português, servil aliado e súbdito, esta estratégia de quotas à importação de produtos de primeira necessidade poderá colocar em causa as vendas de produtos portugueses num valor de cerca de 207 milhões de euros, ou seja, quase um terço do total das exportações de bens alimentares e agrícolas feitas para o mercado angolano.

A notícia é hoje avançada pelo jornal português Público que aponta nove destes produtos (ovos, cebolas, arroz, farinha de trigo, óleo de girassol, açúcar, sumos, águas e cerveja) que só por si representaram um total de 207 milhões de euros nas exportações portuguesas entre Janeiro e Novembro de 2014, o que corresponde aos tais 30% do total do comércio internacional de bens agrícolas e alimentares para Angola.

Ao Público, o director-geral da Federação das Indústrias Agro-Alimentares respondeu, comentando a medida do Executivo angolano, que descer a quota de importações é “uma necessidade que se percebe face à queda abrupta do petróleo”, mas sublinha: “a única coisa que esperamos é que esta seja uma decisão transitória e, acima de tudo, que Angola recupere a capacidade de continuar a ser um destino relevante e privilegiado para os produtos portugueses”.

A limitação da importação vem juntar-se aos obstáculos enfrentados pelas empresas portuguesas a operar em Angola, que já esperam atrasos nos pagamentos dos clientes devido ao contexto económico e à escassez de divisas.

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