A consultora Business Monitor (BMI), que pertence ao grupo financeiro que detém a agência Fitch, reviu em alta a previsão de crescimento para Angola este ano, passando a prever uma expansão de 2,6% em vez de 1,9%, antecipando ainda uma aceleração mais ligeira, de 3,1%, para 2016.

A tabela da BMI que é disponibilizada pela agência de informação financeira Bloomberg duas vezes por mês contém as previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto em vários países, mostrando também a diferença relativamente à previsão da quinzena anterior.

No final de Fevereiro, a BMI tinha elaborado um relatório no qual estimava que a produção de petróleo angolano vai avançar para os 1,88 milhões de barris este ano, acelerando para a casa dos 1,9 milhões nos dois anos seguintes e depois passando a barreira dos 2 milhões de barris diários em 2018, ou seja, um ano depois da previsão oficial do Governo angolano, que espera passar dos 2 milhões já em 2017.

Antes, no final de Janeiro, a previsão da BMI para Angola estava nos 5% em 2015 e 5,2% em 2016, alicerçada no contributo que o sector não petrolífero dará para compensar os efeitos do choque petrolífero.

Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional considerou que a economia de Angola vai acelerar para os 4,5% este ano e abrandar para 3,9% em 2016, segundo o “World Economic Outlook”.

De acordo com os peritos do FMI, que lançaram a primeira de duas edições anuais desta análise à economia mundial, Angola vai acelerar ligeiramente o crescimento económico para os 4,5%, face aos 4,2% que cresceu no ano passado.

A factura da descida dos preços do petróleo, no entanto, vai fazer-se sentir de forma mais acentuada em 2016, ano em que o segundo maior produtor na África subsaariana vai ficar-se pelos 3,9%, bem abaixo da média de 5,2% dos exportadores de petróleo da região.

A queda do preço do petróleo desde o Verão passado tem tornado evidente a excessiva dependência da economia angolana do ouro negro, responsável por mais de 95% das exportações do país e por 70% da receita fiscal no ano passado, uma alínea que este ano vai reduzir-se para 36,5%.

A redução das receitas obrigou o executivo liderado por José Eduardo dos Santos desde 1979 a elaborar um Orçamento rectificativo, em que o preço de referência do barril de petróleo desceu de 81 para 40 dólares, ainda assim abaixo do preço de estabilização antecipado pelos analistas, em torno dos 50 ou 60 dólares.

Além de efectuar um conjunto de cortes na despesa e de ter reduzido substancialmente os subsídios aos combustíveis – uma “velha” batalha do FMI -, Angola encetou um ambicioso programa de financiamento internacional, recorrendo não só aos tradicionais doadores internacionais, como Banco Mundial ou Banco Africano para o Desenvolvimento, mas também à banca comercial.

O resultado destes empréstimos é que Angola vai pagar 5,3 milhões de euros por dia de juros em 2015, com o stock da dívida pública a elevar-se a 41,9 mil milhões de euros, equivalente a 45,8% PIB do país, segundo a revisão, aprovada em Março, do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2015.

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