O país gastou mais de 4,5 milhões de euros na desminagem dos 1.344 quilómetros do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), que volta a ligar o litoral ao interior, recorrendo a 1.300 especialistas.

O s números foram revelados hoje no âmbito da inauguração do troço final do CFB, já na província do Moxico, que será presidida no sábado pelo chefe de Estado, fazendo o comboio regressar à fronteira leste.

A ligação entre os dois extremos, Lobito (Benguela) e Luau (Moxico), foi interrompida em 1983 devido à destruição provocada pela guerra civil, sendo agora retomado após um investimento na reabilitação da linha avaliado em 1,83 mil milhões de dólares.

Ao longo de seis anos, antecipando a obra de reabilitação da linha, a cargo de uma empresa chinesa, cerca de 1.300 especialistas de quatro empresas públicas angolanas da área da desminagem realizaram as operações de segurança do traçado.

Durante este processo, de acordo com informação do ministro da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, sobretudo com recurso a trabalho manual, foram retirados do traçado entre Lobito e Luau cerca de 12 mil engenhos explosivos não detonados e mais de 11 mil minas antipessoal.

Segundo o ministro, que é também coordenador da comissão interministerial para a desminagem, registaram-se durante estes trabalhos nove acidentes, que provocaram três mortos e 14 feridos entre os especialistas que trabalhavam no terreno.

Estes trabalhos, que se iniciaram após o fim da guerra civil, em 2002, custaram mais de 540 milhões de kwanzas (4,5 milhões de euros) ao Estado angolano.

De acordo com João Baptista Kussumua, citado pela Rádio Nacional, os trabalhos de desminagem foram “complexos” devido à impossibilidade de utilização de meios electrónicos, pela presença dos carris ferroviários.

Por esse motivo, foram “levantadas” mais de 1,9 milhões de travessas ferroviárias, de forma manual, para confirmar a ausência total de engenhos explosivos.

Além de ligar os dois extremos de Angola, o CFB – cuja construção arrancou em 1903 – vai permitir à República Democrática do Congo e à Zâmbia retomarem a exportação de minérios por via marítima, através do porto de Lobito, recorrendo à interligação com a linha férrea angolana em Luau.

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