O Instituto Nacional da Criança (INAC) quer envolver as famílias no combate ao fenómeno “mata-aulas”, em que alunos das escolas de Luanda, de todas as idades, faltam à escola para consumirem álcool e drogas.

A situação envolve alunos menores de idade e adolescentes, desafiados, em grupos, a escapar às aulas, à sexta-feira, alguns envolvendo-se mesmo em práticas sexuais, segundo relatos públicos.

“Este fenómeno é uma preocupação não só da instituição, mas de todos os órgãos que intervém nas políticas, projectos e programas que dão reposta social às necessidades da criança”, reconheceu a directora do INAC, Ruth Mixingi.

A gravidade da situação já foi reconhecida igualmente pelo ministro da Educação, Mpinda Simão, que apelou este mês ao combate ao fenómeno por parte dos administradores escolares.

Também a Polícia Nacional já anunciou que vai avançar com operações no terreno para tentar travar o “mata-aulas” das sextas-feiras.

A directora do INAC reconhece a necessidade de “trabalhar com as famílias” a forma de combater este fenómeno, através do “reforço dos mecanismos de capacitação”, ao mesmo tempo que se estudam os motivos sociais na origem do problema, nomeadamente o incentivo ao consumo de álcool por parte de menores.

“A fim de desencorajar as crianças, os adolescentes e os adultos que têm coagido ou criado as condições para que este fenómeno tenha alguma expressão”, reconheceu Ruth Mixingi.

Por outro lado, aquele instituto público defende medidas junto das crianças, como a criação de espaços de lazer e recriação, bem como uma aposta na descoberta da vocação artística.

“Levar a criança ou o adolescente a explorar aquilo que é sua vocação, que está inata. Ensinar que há coisas mais úteis para fazer à sexta-feira”, rematou a directora do INAC.

O sistema de ensino em Luanda conta este ano lectivo com 1,7 milhões de alunos (excluindo ensino superior).

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