A petrolífera angolana Sonangol anunciou hoje um acordo para comprar a totalidade das participações da norte-americana Cobalt em dois blocos em Angola por 1,5 mil milhões de euros, ficando a Cobalt apenas com direitos sobre o bloco 9.

“O acordo de compra e venda assegura uma transição suave para um novo operador e sublinha o empenho das partes em conseguir uma decisão final de investimento para o desenvolvimento do bloco Cameia 21/09 até ao final deste ano para conseguir iniciar a produção no final de 2018″, lê-se no comunicado colocado na página da petrolífera norte-americana.

Apesar de a Cobalt ficar como operador durante os próximos tempos, “todos os custos daqui para a frente serão suportados pela Sonangol”, acrescenta a empresa no comunicado, que lembra que o acordo está sujeito a aprovação das autoridades de regulação angolanas, o que deverá acontecer até ao final do ano.

Citado no comunicado, o director executivo da empresa, Joseph Bryant, afirmou: “Estamos orgulhosos do tremendo sucesso que a nossa parceria com a Sonangol conseguiu em abrir a camada pré-sal na bacia do Kwanza com cinco descobertas significativas e um profundo portefólio de perspectivas de exploração”.

Joseph Bryant acrescentou: “Continuamos empenhados em continuar os esforços conjuntos com a Sonangol para conseguir desenvolver o projecto da Cameia até ao final do ano”.

Por seu lado, o presidente executivo da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria, lembrou que “nos últimos sete anos, a Cobalt tem tido um sucesso excepcional na exploração do pré-sal em Angola” e prometeu que “isso vai trazer uma prosperidade considerável para o povo angolano nas próximas gerações”.

A Cobalt opera em Angola, o segundo maior produtor de petróleo em África, apostando nas semelhanças entre a costa do Brasil e a de Angola para potenciar a sua actividade.

O portefólio da Cobalt fica agora mais focado nas suas actividades de exploração no Golfo do México, disse a companhia numa apresentação aos analistas há algumas semanas, de acordo com a agência financeira Bloomberg.

O negócio surge num contexto de dificuldade financeiras por parte de Angola, que enfrenta um preço do barril bem abaixo do nível que projectou quando apresentou o Orçamento do Estado original para este ano, com um preço do barril na ordem dos 81 dólares, entretanto revisto em baixa para 40 dólares por barril.

O preço do barril internacional caiu para menos de 45 dólares por barril hoje pela primeira vez desde 2009, num contexto de uma persistente oferta excessiva de petróleo, cujo efeito é aumentado pelas preocupações sobre o andamento económico da China.

Angola é o segundo maior produtor da África subsariana, pretendendo bombear uma média de 1,8 milhões de barris diários este ano.

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