O ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, disse hoje, em Luanda, que a visita do seu homólogo de Portugal, na próxima semana, vai servir para avaliar a cooperação bilateral entre os dois países.

R ui Machete realiza de 12 a 14 deste mês uma visita de trabalho que servirá no essencial para o reforço da cooperação e dos laços de amizade entre Portugal e Angola e que, como é habitual, exclui a questão dos direitos humanos no nosso país.

Em declarações à imprensa, o governante sublinhou que esta é a primeira visita que o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete, realiza a Luanda, desde que assumiu a pasta.

“Vamos olhar para alguns aspectos que já decorrem e, pontualmente, pode ser que a parte portuguesa tenha algo que seja novo, mas acho que não prevemos nada de novo”, disse o chefe da diplomacia angolana.

Sim. Nem sequer a garantia de que a actuação de Portugal ao nível do Conselho dos Direitos Humanos da ONU defenderá com unhas, dentes e petróleo a posição de Angola é nova. Aliás, dificilmente Lisboa se atreveria a beliscar em algo que não tivesse o prévio acordo do regime de Eduardo dos Santos.

Durante a sua estada em Angola, Rui Machete tem previsto um encontro com o seu homólogo angolano, no qual poderão ser abordados, além das questões bilaterais, assuntos multilaterais de interesse regionais e internacionais, tendo em conta a presença de Angola no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como membro não permanente do mesmo órgão.

A presidência em exercício angolana da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL), a segurança marítima na região do Golfo da Guiné, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Guiné-Bissau e a cooperação entre Angola e a União Europeia são outros assuntos que vão dominar o encontro entre os dois governantes.

O programa de visita do chefe da diplomacia portuguesa prevê encontros com governantes angolanos, nomeadamente os ministros da Economia, Abraão Gourgel, e do Ensino Superior, Adão do Nascimento.

No epílogo de mais uma reunião em que o Governo português vem a despacho a Luanda ficará, certamente, a garantia de que enquanto Lisboa se portar bem terá o apoio diversificado do regime.

Recorde-se que em resposta à efusiva saudação feita por Paulo Portas à eleição de Angola para membro não permanente do Conselho de Segurança da Nações Unidas, Georges Chikoti disse que p vice-primeiro-ministro português é um “grande amigo de Angola”

Foi uma “eleição brilhantíssima”, disse na altura Paulo Portas. Quase tão brilhante como os índices de liberdade em Angola, terá pensado o líder do CDS-PP.

Georges Chikoti não se mostrou surpreendido com essa qualificação: “É sempre importante. Primeiro porque o doutor Paulo Portas é um grande amigo pessoal, é um grande amigo de Angola e naturalmente que esperava-se isso dele”, afirmou o ministro angolano.

“Mas acho que ele exprimiu um sentimento real da amizade entre Angola e Portugal, sobretudo. Eu acho que foi muito bom”, reconheceu ainda Georges Chikoti.

Numa entrevista em Lisboa à rádio pública angolana, o vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, que anteriormente, no actual Executivo, liderou a pasta da Diplomacia, classificou a eleição para membro não permanente do Conselho de Segurança (2015/2016), com 190 votos a favor, como uma “grande vitória diplomática de Angola e de todos os amigos de Angola”.

“É uma eleição brilhantíssima. Troquei mensagens com o ministro Georges Chikoti, é um grande sucesso para Angola esta eleição para o Conselho de Segurança, com o número de votos que Angola teve”, disse Paulo Portas que, entretanto, deverá voltar a despacho ao nosso país, certamente e como habitual com uma mão à frente e outra atrás.

O governante português diz mesmo que a eleição angolana é “não só merecida, como um grande sinal para o futuro”, revestindo-se de especial importância para a CPLP.

Por lapso Portugal esqueceu-se, como reivindicou insistentemente o Jornal de Angola, de propor m 2014 a candidatura do Presidente José Eduardo dos Santos ao Prémio Nobel da Paz. Mas este ano é certo que Paulo Portas vai liderar a campanha para que isso aconteça.

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