O Governo Provincial de Luanda lança amanhã operações de grande escala para recolha de resíduos sólidos nos vários municípios, de forma a travar a crise do lixo que afecta a capital angolana.

M ais de 40.000 toneladas de resíduos sólidos estão por recolher na capital, segundo informação da estatal Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda (Elisal). Na origem do problema está o novo modelo de recolha do lixo, introduzido pelo governo provincial em Agosto e que financeiramente desagradou às operadoras privadas, levando ao seu progressivo abandono.

A situação está a motivar fortes protestos da população e campanhas nas redes sociais, devido ao avolumar do lixo por recolher em praticamente todos os municípios da capital angolana, onde vivem 6,5 milhões de pessoas.

Passou a ser comum a utilização de queimadas, em plena rua, por parte dos populares, para assim assegurar a destruição dos resíduos e travar a propagação de doenças, o principal receio face ao arrastar da situação.

Segundo informação do governo provincial, já esta quarta-feira avança uma “campanha alargada de limpeza” no município de Viana.

“Esta intervenção marca o início de uma série de campanhas que serão efectuadas em todos os municípios de forma rotativa, com o objectivo de acabar com os amontoados de lixo espalhados pelos mais diversos pontos da província de Luanda”, refere a mesma informação.

O município de Cazenga é um dos que vive uma situação “crítica”, segundo o próprio administrador municipal, Victor Narciso, depois da retirada, no fim-de-semana, dos meios de depósito e recolha de lixo pela operadora contratada pela Elisal para a operação local, que alegou insuficiência de verbas.

O próprio Governo Provincial de Luanda admite que se assiste “ao abandono do sistema municipal de limpeza por parte de várias operadoras”, mas garante que com esta “concentração de meios técnicos e humanos” numa única frente e “de forma coordenada” será possível “normalizar a situação”.

A empresa Elisal informou anteriormente, em comunicado, que na sequência do curto orçamento atribuído, as empresas de limpeza do antigo modelo desistiram de prestar serviços por considerarem que os valores agora fixados não cobrem as suas despesas operacionais e com o pessoal.

Para a limpeza de toda a província, o Ministério das Finanças disponibiliza ao GPL uma verba de cerca de 10 milhões de dólares (8,9 milhões de euros) por mês, que representa um terço do montante atribuído há cerca de quatro anos.

O critério de repartição do orçamento define por cada município 20% para as microempresas, 25% para as empresas de pré-recolha e 55% para as operadoras principais.

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