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A primeira manifestação popular sem ter que se colocar o pé na estrada, bastando apenas as mãos, para com elas, premir a buzina e bater as panelas, arrancou e conseguiu um relativo sucesso, principalmente, na periferia de Luanda.

A Os angolanos fizeram ecoar o som da indignação, contra a política de um regime de cariz colonial e ditatorial, que não se cansa de implantar políticas visando matar a democracia e as liberdades, tão duramente sonhadas e conquistadas e, cuja implantação tem sido incipiente.

Este é pois um dos motivos que levou a que no dia 28 de Agosto pelas 15h00 tivesse arrancado o BUZINÃO e o PANELAÇO, com muitos populares, amantes das liberdades e da democracia a saírem à rua, nas suas viaturas, motorizadas e até bicicletas, não em grupos concentrados, para não permitir a acção e carga policial, mas dispersos, unidos apenas pelo ruído, para que o regime escutasse mais este clamor popular.

Em muitas casas, das janelas, portas e quintais ouviam-se as panelas tocando uma sinfonia de esperança, muitas tiveram a sua utilidade, já que não conseguem ir ao lume devido à falta de comida, face ao desemprego.

No entanto, em muitas rotas no Cacuaco, 1.º de Maio, Benfica, Km 30 a Polícia Nacional do MPLA, dando um ar da sua graça, interpelou alguns automobilistas retendo as suas cartas, sob alegação, de não poderem buzinar, por ser proibido. Quando alguns diziam não estar no corpo da lei, tal proibição, respondiam que, não está na geral, mas eles têm essa orientação. E se tem essa orientação, na democracia deles é assim…

Outros agentes policiais iam mais longe, dizendo; “buzinar” desta forma, pelo menos hoje, não!, por ser a data do aniversário do camarada Presidente José Eduardo dos Santos e ele merecer silêncio nas suas comemorações.

Na zona de Cacuaco, a manifestação do buzinão e do panelaço continuou até à noite, congregando cada vez mais buzinas, não se sabendo se no final, a Polícia Nacional do MPLA vai prender as buzinas ou os buzinadores, as panelas ou os batedores destas.

Menos expressivas mas igualmente relevantes na intenção, foram os sonoros sinais de solidariedade que se registaram um pouco por diversos países, desde a Alemanha a França, passando por Portugal e Brasil.

Foi uma manifestação espontânea, sonora e incomodativa para os ouvidos dos que apostam tudo na formatação de cada um de nós. As buzinas e as panelas deram-nos a noção de que o sonho de sermos livres de qualquer tipo de tirania, disfarçada que seja, pode tornar-se realidade. Os apoios fizeram-se ouvir.

Onde esteve um angolano, houve uma sonora buzinadela ou um bater de panelas fora da hora da refeição. Tudo em nome da vida, da justiça, da liberdade, da democracia.

Tendo como arma as buzinas e as panelas, os angolanos mostraram ao regime que não somos vingativos como eles, que nunca irão lutar para cometer as mesmas injustiças, praticadas ao longo de 40 anos contra a maioria inocente.

Provou-se que a participação cívica, nos momentos cruciais, fará transbordar o leito do rio das liberdades para todos beberem do instituto superior das liberdades individuais e sociais como homens livres das amarras da ditadura, da centralização da economia e do poder político.

Ser totalmente livre é a maior riqueza de um homem. Permitir a liberdade de movimento, a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade de sonhar, constitui a nobreza de um líder que o seja de forma natural e eleita.

Infelizmente, para a maioria dos povos autóctones de Angola, a partidocracia dirigente do país, tem tanto medo da democracia como o diabo da cruz, agravada pelo facto do líder ter ainda maior aversão a ela. Fica com insónias, quando alguém evoca institutos como as liberdades, transparência e fim da corrupção.

Protesto em Lisboa

O protesto em Lisboa começou às 15 com a concentração das pessoas que aderiram à iniciativa. Eram algumas dezenas de manifestantes frente ao Consulado Geral da Embaixada de Angola, em Alcântara; ostentavam cartaz e as fotos dos jovens angolanos presos pelo regime de José Eduardo dos Santos. Foi uma manifestação pacífica. O que o grupo exige é o respeito pelas liberdades, o direito ao pensamento e à opinião.

As buzinadelas que se ouviram ao longo da tarde visaram chamar a atenção para a gravidade do que se vive em Angola, onde o Governo de JES tem posto em causa os direitos fundamentais. O grupo foi atentamente seguido durante toda a tarde por um pequeno aparato policial, sob olhar atento dos serviços de informação da Embaixada.

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