O PS pediu hoje ao vice-presidente da associação cívica Transparência e Integridade (TIAC), Paulo Morais, a lista de destinatários dos empréstimos concedidos pelo BES Angola (BESA), documento que o responsável diz ter. O PSD pede a mesma coisa. O elefante está a passear no meio da loja de porcelanas. Vai tudo ficar em cacos.

“O s deputados do grupo parlamentar do PS vêm requerer a Paulo Morais que disponibilize os documentos que diz ter em sua posse sobre este tema”, afirma o PS em documento enviado ao presidente da Comissão de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), Fernando Negrão.

A comissão ouviu na terça-feira o ex-presidente do BESA, Rui Guerra, que admitiu que a entidade “não foi capaz de identificar os beneficiários de muitos dos empréstimos concedidos pela instituição”.

Em declarações à Rádio Renascença, como Folha 8 noticiou, Paulo Morais revelou não ser difícil detectar o paradeiro do crédito concedido pelo BESA, montante de paradeiro incerto e que contribuiu para a queda do BES e do GES.

No seguimento dessas declarações, os deputados do PS na Comissão de Inquérito, encabeçados pelo coordenador Pedro Nuno Santos, pretendem ter acesso a documentos alegadamente detidos pelo vice-presidente da associação cívica.

Os trabalhos dos parlamentares têm por intuito “apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades”.

Também hoje, o PSD apelou a Paulo Morais, para entregar a lista de devedores ao BESA.

“O apelo que faço, que o grupo parlamentar do PSD faz, é que Paulo Morais entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (BES/GES) essa lista, que obviamente será depois entregue ao Ministério Público”, revelou Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD que coordena o partido naquela comissão de inquérito.

A comissão, frisou o social-democrata, “pediu a lista quer a entidades portugueses quer a entidades angolanas” e ela não chegou aos deputados

“Não tivemos acesso à lista de modo algum”, sublinhou, insistindo que Paulo Morais tem o dever “cívico” de entregar a lista em questão, o anexo à garantia do Estado soberano ao BESA e onde estavam todos os grandes devedores ao banco, aos deputados.

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