Em Luanda, vários jovens foram (e outros continuam ainda a ser) b u r l a d o s pela direcção-geral do Instituto Superior Politécnico Nossa Senhora da Muxima (IPM), com a outorga de diplomas não-reconhecidos.

A instituição jamais foi constituída oficialmente, funcionando na ilegalidade, sob tutela do cónego Apolónio Graciano, influente líder católico angolano e bastante conhecido pelos habitantes da Capital.

Segundo um dos lesados, Alberto José, após terem concluído com êxito, no período académico 2014, o quarto ano do curso superior de ciências da educação, na especialidade de pedagogia, viram os processos de candidaturas para empregos que submeteram as diversas instituições serem recusados, porque o diploma que exibiam, rubricado pelo cónego Apolónio Graciano, director-geral do Instituto Superior Politécnico Nossa Senhora da Muxima (IPM), não é reconhecido no País.

Isto para além de que a instituição é desconhecida no panorama universitário existente em Angola, facto que levou os referidos estudantes finalistas a contactar o Ministério do Ensino Superior, através do Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), à época, situado na Vila Clotilde, travessa José Anchieta, em Luanda, para a homologação do mencionado diploma de conclusão de estudos ou esclarecimentos.

Na entidade estatal, em referência, os lesados foram informados que as pretensões jamais podiam, na presente data, ser satisfeita, pois o Instituto Superior Politécnico Nossa Senhora da Muxima (IPM) nunca existiu oficialmente, ou seja, a instituição onde se formaram não está (nem nunca esteve) legalmente criada como sociedade comercial, ao menos.

“Ficamos pasmos diante de tais revelações, como podíamos acreditar que após termos gastado esforço e avultadas somas financeiras para custear as despesas com a formação, tudo iria agora por água à baixo, porquanto tinamos sido enganados”, disse, ao Folha 8, Alberto José, que conforme consta, já faz parte do segundo grupo, composto por cerca de 50 finalistas, saídos daquela instituição de ensino superior, ilegal.

Alberto José, capitão das Forças Armadas Angolanas (FAA), adstrito à Força Aérea Nacional (FAAN), 197º Regimento de Defesa Antiaérea, como especialista em equipamentos de lança foguetes, via na conclusão do curso superior em ciências da educação, na opção de pedagogia, o futuro para ingressar na docência pública, expectativa que vê actualmente frustrada, por ter estudado durante quatro anos numa universidade de aldrabões, sob os auspícios directo do cónego Apolónio Alberto Graciano.

“Embora esteja situada numa zona pouco urbanizada, a escola leva o nome da Nossa Senhora da Muxima e, acima de tudo, é dirigida por um padre católico; inspirou-nos confiança. Jamais podíamos imaginar que era um burlão. Agora entendo a razão de nunca termos sido obrigados a pagar as propinas ou outros emolumentos numa agência bancaria, porque preferia tudo à moda antiga”, afirmaram outras vítimas.

Os estudantes contaram que o Instituto Superior Politécnico Nossa Senhora da Muxima funciona apenas no período nocturno, nas instalações da Escola São Pedro, albergando no período da manhã alunos do 1º e 2º ciclo do ensino secundário; só à noite é que funciona como universidade. As propinas, mensalmente, pagas equivalem, em moeda nacional, a duzentos dólares norte-americanos”, explicaram, agastados com a situação.

Da lista de instituições de ensino superior reconhecidas em Angola não há qualquer referência a este Instituto, mas sabe-se que o ministro responsável pelo Ensino Superior no País, Adão do Nascimento, já terá ordenado, há muito tempo, o encerramento da mesma instituição, mas os seus responsáveis, liderados pelo padre Apolónio Graciano, nunca acataram tal decisão, continuando a funcionar normalmente, ministrando cursos superiores nas áreas da psicologia e pedagogia, com a duração académica de quatro anos cada um.

O Folha 8 tentou, embora sem sucesso, contactar o acusado, que dada a indisponibilidade verificada, voltaremos nas próximas edições com mais pormenores, em virtude também dos documentos irrefutáveis que possuímos acerca das trafulhices do aludido Instituto Superior Politécnico Nossa Senhora da Muxima.

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