Todos os países lusófonos sofrem de falta de fundos para investir na sustentabilidade ambiental, segundo declarou à Rádio ONU o secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), Bráulio Dias. Falta de quê?

O responsável atentou nas diferentes causas por trás das limitações do investimento dos países de língua portuguesa, que variam segundo a situação política e económica específica de cada país.

“Países como Guiné-Bissau, por exemplo, pouco avançaram devido às dificuldades económicas e políticas”, explicou, enquanto países como Timor-Leste estão a começar “quase do zero, nestes últimos anos, a fazer um esforço para implementar essa agenda”.

Angola e Moçambique “têm uma biodiversidade imensa”, mas que foi “muito impactada durante todo o período de guerra civil”.

E a guerra, apesar de ter acabado em 2002 em Angola, continua a justificar tudo. Até camufla a corrupção e os gastos supérfluos feitos em benefício dos donos do poder.

No entanto, os dois países africanos estão a fazer “um grande esforço de recuperação”, nomeadamente Moçambique, que duplicou as áreas protegidas nas últimas décadas.

Para o especialista, a prioridade dos esforços da comunidade lusófona africana deve ser o controlo das espécies invasoras e a protecção das que são vulneráveis às mudanças climáticas.

Quanto a Portugal, “o grande desafio”, considerou, é superar a “crise financeira e poder voltar a ampliar os seus investimentos” na protecção da biodiversidade.

“O país tem um Instituto de Conservação da Biodiversidade muito bem estruturado, e programas muito importantes na área da biodiversidade marinha”, elogiou.

Para o secretário da CDB, o Brasil obtém nota positiva, apresentando “resultados bastante significativos”, duplicando a extensão das suas áreas protegidas e sendo “o país que mais reduziu as taxas de desmatamento e desflorestação em todo o mundo nesta última década”.

“Houve uma redução de mais de 80% das taxas de perda de biodiversidade do Brasil desde 2005 até agora”, acrescentou.

A CDB é um tratado da Organização das Nações Unidas e um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados ao meio ambiente.

A Convenção foi estabelecida durante a ECO-92 — a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992 — e é hoje o principal fórum mundial para questões relacionadas com o tema.

Mais de 160 países já assinaram o acordo, que entrou em vigor em Dezembro de 1993.

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