Angola é o oitavo país africano onde há mais investimentos chineses, 189, de acordo com a contabilização feita pelo instituto norte-americano Brookings, com base em números oficiais, numa lista liderada pela Nigéria, com 404.

“O s dados recolhidos junto do Ministério do Comércio da China sobre todas as empresas que investiram em África entre 1998 e 2012 foram englobadas em 25 sectores, abarcando as pequenas e as médias que investiram no continente, e contrariamente à percepção geral, houve poucos investimentos nos sectores dos recursos naturais”, escrevem os investigadores no resumo do relatório.

Segundo o documento da Brookings Institution ‘Why is China investing in Africa? Evidence from the firm level’, de 30 páginas, assinado por Wenjie Chen, David Dollar e Heiwai Tang, que analisa os investimentos de mais de duas mil empresas chinesas em 49 países africanos, a maioria dos projectos de investimentos chineses em África foi canalizado para o sector dos serviços, com um número significante também na área da manufacturação.

O crescimento exponencial dos investimentos chineses em África trouxe também uma mudança de percepção sobre o país, com os autores a citarem os números do ‘Pew Global Attitudes’ do instituto de pesquisas e sondagens Pew para lembrarem que “os inquiridos africanos têm uma visão positivamente mais significativa da China (70%) do que os que responderam noutras regiões do mundo como a Europa (41%), Ásia (57%) e América Latina (57%), o que provavelmente reflecte o impacto positivo do contributo chinês para o crescimento africano”.

Para os investigadores autores do relatório, o investimento chinês em África encerra um paradoxo, considerando que é simultaneamente pequeno e grande: “O investimento chinês em África é pequeno no sentido em que a China representa apenas uma pequena parte do total do volume de investimento, 3,2% dos 629 mil milhões de dólares investidos em 2011”.

Por outro lado, acrescentam, é grande “no sentido relativo, dado que o mundo tem seis vezes tanto investimento directo nos EUA como em África, reflectindo o facto de a maior parte do IDE ir para as economias avançadas”.

Só que, vincam, a China tem mais IDE em África (26 mil milhões no final de 2013) do que nos EUA (22 mil milhões), portanto o foco da China em África é grande, apesar de ainda ser um ‘player’ menor quando se olha para o investimento global”.

A análise feita pela Brookings Institution aponta ainda para “outra desmistificação sobre o investimento chinês”, muitas vezes reflectido na imprensa como se fosse um domínio do continente: “De acordo com os dados mais recentes, a China representa apenas 3% do total do IDE no continente”, o que é um valor pequeno, embora os analistas reconheçam que “o número está a crescer rapidamente”.

A grande diferença, sublinham, é que “a alocação dos investimentos chineses é indiferente aos direitos de propriedade e à existência ou não de um Estado de direito nos países, enquanto os investimentos ocidentais tendem a ficar longe dos ambientes com fraca governação”.

“Como o investimento chinês é igualmente distribuído entre ambientes com boa e má governação, a percentagem de investimentos chineses nos países com pior governação tende a ser maior”, conclui-se no estudo.

Sobre os países lusófonos, no estudo refere-se apenas o número de investimentos em Angola, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, mostrando-se que Angola lidera a lista, com 189 projectos de 80 empresas, enquanto Moçambique, com 94 empresas, e Cabo Verde, com 2, e São Tomé e Príncipe, com uma, completam a lista dos países lusófonos referidos.

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