Os jovens revolucionários estão disposto a continuar a luta, ainda que lhes custe a liberdade e a vida. E, cientes dos sacrifícios, mostram que – como no passado – não podem baixar os braços.

Por Kuiba Afonso

“S e os nossos pais lutaram para a independência deste país do jugo colonial, porque consideravam abominável o regime, nós em pleno século XXI, temos razões de sobra, não de adoptar a via armada que eles recorreram, como último recurso, mas através da via pacífica em busca de igualdade, educação, saúde, liberdades e democracia, uma vez o regime estar assente em políticas de discriminação e partidarização das instituições do Estado”, disse ao F8 Online, o jovem economista, Nganga Nvula.

O sentimento de revolta, diz, instalou-se por não haver uma política transparente, visando a adopção de uma democracia real e plena: “Como podemos ficar impávidos e serenos, quando surgem do dia para à noite os filhos do presidente, que nunca foi rico, com contas chorudas, quando a maioria dos jovens angolanos ainda se senta em latas de leite, em muitas escolas da Angola profunda? Como podemos ficar calados, quando temos uma comunicação pública que é uma lança do MPLA?”

E é nessa contestação que emerge a fértil imaginação dos jovens do movimento revolucionário, adoptarem, doravante, já que não podem recorrer a outros autores, como referência de forma de luta democrática, aos manuais da guerrilha e da clandestinidade, utilizados pelo MPLA, nos anos 60, como método de contestação.

O objecto desta estratégia é a de testar a verdadeira noção de liberdade e democracia de José Eduardo dos Santos, o principal alvo das críticas juvenis, por estar há 36 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito “e ser um factor de instabilidade do país, uma vez ser o expoente máximo da corrupção e do sofrimento do povo”, assegurou Nganga.

“Nós vamos agora actuar na clandestinidade e como não nos podemos manifestar no largo da independência vamos estar presente com faixas, cartazes etc. para denunciar todos os abusos desta ditadura”, acrescenta.

É com base nisso que durante algumas horas esteve num ponto nobre da cidade o cartaz que ilustra esta notícia. Espera-se que o carro, não seja detido, acusado de instigação a um novo golpe de Estado.

Agora vão ser alteradas as formas de manifestação dos contestatários do regime. Vão estar na rua de diferente formas sem saírem à rua para não darem motivos à Polícia Nacional do MPLA de continuar a prender e assassinar por vontade expressa de José Eduardo dos Santos.

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