A Direcção de ex-trabalhadores angolanos na ex-RDA e residentes na diáspora manifestam o seu descontentamento pela pouca vontade da parte do Governo de José Eduardo dos Santos em não pagar os seus salários que “estão em falta há mais de 24 anos”.

“É do conhecimento do público que antes da queda do Murro de Berlim, a República Democrática da Alemanha tinha relações de amizades com vários governos socialista e um desses era o de Angola. Como resultado dessa amizade foram assinados diversos acordos e um desses foi no sentido de a então RDA receber angolanos jovens para lhes dar formação profissional com a duração de quatro anos. Esse acordo foi assinado pelo Ministério do Trabalho sob autorização de José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola”, contam esses trabalhadores.

Acrescentam que “muitos jovens ingressaram nesse programa do Governo para posterior benefício do país, pois essa era a ideia e todos angolanos que se encontravam na extinta RDA”, no entanto “ficaram surpresos, já na RDA, ao saberem que seriam trabalhadores em varias fabricas do país algo que o Governo angolano não tinha revelado aos jovens que procuravam melhor formação para ajudar o seu país”.
Esse Acordo iniciou-se em 1985 com actualizações anuais sob a responsabilidade do Ministério do Trabalho angolano.

Os ex-trabalhadores na extinta RDA “não tinham conhecimento que os quatros anos de trabalho os obrigariam a ser escravos nas empresas da RDA, receberiam um salário mensal de 5000 marcos, mas que mensalmente pelo menos 50% desse valor era retirado pelas autoridades da RDA, conforme previsto no Artigo 12° do acordo e transferido para o Estado angolano, que depois do fim do contrato e na altura do regresso os devolveria aos seus titulares.”

Todavia, salientam, depois da queda do Muro de Berlim e da consequente unificação, “o Governo angolano não se pronunciou e tão pouco se preocupou com o pagamento dos salários”.

Passados todos estes anos, os ex-trabalhadores apenas querem receber o que lhes é devido.

“Nós, os ex-trabalhadores angolanos na extinta RDA, fazemos nossas as palavras de Agostinho Neto, faremos delas o nosso lema: a luta continua”.

E continua até que, dizem, o “Governo pague o que nos deve”.

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