Um desfile civil e militar com exibição das Forças Armadas Angolanas e integrando 10.000 participantes é o ponto alto das comemorações dos 40 anos da independência de Angola, a 11 de Novembro.

O evento consta do programa interno preparado pela comissão interministerial responsável pelas comemorações de 2015, prevendo que assistam a este desfile, em Luanda, 7.000 convidados, entre populares e VIP, e uma centena de convidados “presidenciais”, em representação de vários países.

Ainda no dia 11 de Novembro está previsto um almoço presidencial, na baía de Luanda, com 3.000 convidados.

Entre os dias 10 e 11 de Novembro decorrerá o Festival da Liberdade, que envolve concertos ao vivo igualmente na baía da capital, protagonizados por 50 músicos para mais de 50.000 convidados.

As comemorações dos 40 anos da independência iniciam-se a 8 de Novembro, com um culto ecuménico a ter lugar no Estádio 11 de Novembro, com 50.000 fiéis.

O orçamento oficial para as festividades alusivas a estas comemorações é de 41 milhões de kwanzas (270 mil euros), de acordo com informação divulgado pelo Governo angolano em Março deste ano.

Questionado na ocasião pelos partidos da Oposição no Parlamento, que alegavam custos exorbitantes anunciados com o evento numa altura de crise no país, o ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, ironizou, garantindo tratar-se de uma verba que “nem dá para fazer um almoço protocolar”.

O governante manifestou-se até preocupado com a verba “bastante reduzida”, que pode não servir para “dar dignidade às celebrações do 11 de Novembro”, com “esses valores”, num ano em que o Estado teve de cortar um terço de todas as despesas públicas inicialmente previstas para 2015, devido à crise da cotação do petróleo.

Angola foi colonizada por Portugal durante cerca de 500 anos, tendo alcançado a independência em 1975, na sequência da luta armada levada a cabo pelos movimentos de libertação, MPLA, FNLA e UNITA.

A independência foi proclamada em Luanda por António Agostinho Neto, líder do MPLA e primeiro presidente de Angola, após 14 anos de guerra contra o poder colonial português. Foi igualmente proclama no Huambo por Holden Roberto, líder da FNLA, e Jonas Savimbi, líder a UNITA.

Como foi no 39º aniversário

O Vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, enfatizou nas comemorações do 39º aniversário da independência, o Huambo, a unidade nacional como garante da soberania, integridade e desenvolvimento do país.

Manuel Vicente, no acto de massas evocativo da proclamação da independência, afirmou que, “em 39 anos de existência como nação independente, já podemos extrair uma grande lição da nossa história: Nada se consegue sem trabalho, sacrifício, determinação e perseverança. E só conseguimos atingir os grandes objectivos nacionais se nos mantivermos unidos”.

A vila municipal de Cachiungo, antiga Bela Vista, a 64 quilómetros da cidade do Huambo, acolheu a sessão oficial das comemorações de 2014, com o lema “Unidos, reforcemos os ideais de liberdade e justiça social”.

No discurso proferido no estádio da localidade, o Vice-Presidente angolano sublinhou a importância da província do Huambo na “resistência secular contra o colonialismo” português e de uma luta que terminou em 1975.

“Sem o sacrifício, incluindo das próprias vidas, de milhares de angolanos, não teria sido possível alcançar a independência e manter a integridade territorial nacional, obter a paz e lutar pelo desenvolvimento económico, social e cultural do nosso país”, destacou Manuel Vicente.

Para o Vice-Presidente, que falava em representação do chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, os sacrifícios do povo “valeram a pena”, porque os angolanos estão a “construir uma nação unida, próspera, moderna, democrática e inclusiva”, onde “todos os seus filhos podem dispor dos mesmos direitos e oportunidades”.

Angola vive em paz desde 2002, com o fim do conflito armado que se seguiu à proclamação da independência do domínio colonial.

“As armas de guerra já se calaram, já não temos medo de emboscadas nas estradas”, enfatizou Manuel Vicente.

Recordando que a “unidade nacional, a integridade territorial e a preservação da soberania”, como acontece actualmente, constituem “as principais condições” para “consolidar a paz, promover o desenvolvimento e o bem-estar, erradicar a fome, a pobreza e a doença”, estas asseguram ainda a “justa repartição do rendimento nacional”, bem como a “construção de uma sociedade democrática, garantindo as liberdades e os direitos de todos os cidadãos”.

As comemorações de 2014 ficaram marcadas por acusações entre a UNITA e o MPLA, no poder desde 1975, nomeadamente face ao aumento de casos intolerância política, como acusa o maior partido da oposição.

Numa alusão ao Orçamento Geral do Estado para 2015, o Vice-Presidente admitiu ainda, no mesmo discurso, que o “abaixamento do preço do petróleo” já não vai permitir “imprimir a velocidade que pretendíamos” em vários projectos de desenvolvimento.

Estas comemorações envolveram inaugurações de empreendimentos, nomeadamente a biblioteca provincial do Huambo, a fábrica de refrigerantes Blue, da Refriango, e a entrega de mais de uma centena casas sociais naquela província.

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