Em Outubro de 2013 foi anunciado que Angola tinha comprado 18 aparelhos Su-30K de fabrico russo que tinham estado ao serviço da Força Aérea da Índia.

Por Arlindo Santana

S ão aviões de guerra fabricados do final da década de noventa, tendo sido entregues pelos russos à Força Aérea da Índia entre 1998 e 1999, sabe Deus em que estado, e foram retirados de serviço em 2006, por opção estratégica das forças armadas indianas. Quer dizer, essas aeronaves tinham atingido o seu nível terminal de caducidade.

Quatro anos mais tarde, em 2011, os Su-30K regressaram a Baranovichi, na Bielorrússia, onde ficaram em instalações fabris da ‘Irkut Corporation’ para serem modificadas e modernizadas com sistemas modernos de navegação e armamento bastante evoluído em termos tecnológicos.

A compra pelo Estado angolano foi concluída através da empresa exportadora nacional russa Rosoboron-export, a qual assegurou que enviaria numa primeira fase 12 caças e mais tarde os seis restantes, só que, no mês de Fevereiro do ano passado, a ‘Irkut Corportation’, fabricante dos Sukhoi, esclareceu que nesse negócio estavam apenas incluídos 12 caças Sukhoi Su-30K…. E os outros seis, então?…(???) Precisam de tratamento especial que a sua velhice exige ou teriam voado sem avisar!? Para onde?…

Claro que não se sabe ao certo, mas, segundo fontes estatais a primeira remessa desses caças chegará a Luanda no final deste ano. Se não caírem pelo caminho.

Quanto ao preço dessa fornada de sucata, segundo a mesma fonte o governo de Luanda concordou pagar, a 16 de Outubro de 2013, a módica quantia de 1 bilião de dólares americanos pelas 18 aeronaves, o que nos impõe realçar o propósito do governo do presidente dos Santos de priorizar a defesa nacional – embora só Deus saiba quem é o nosso actual inimigo -, em detrimento de necessidades básicas, postas de lado neste caso, o que contribuiu para relegar Angola para os mais baixos índices de desenvolvimento humano do mundo, para os mais baixos patamares de facilidade de negócios, para o underground fétido dos índices da mortalidade infantil e para os píncaros da corrupção activa e passiva da elite.

Entretanto, mais ou menos pela mesma altura em que se ia mexendo nesta salada, outro caso de esbanjamento de valores do Estado aconteceu.

O website Maka Angola, do activista e conhecido jornalista Rafael Marques, publicou no passado dia 5 de Março uma matéria polémica sob o título “Governo angolano gasta 5 milhões de dólares para a construção de website fantasma”.

Na mira desta denúncia está uma importante organização estatal angolana, a Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE), a qual reagiu à diatribe de que foi alvo na referida matéria, pois esta indicava a inexistência de uma página de Internet da IGAE e denunciava despesas com esse website inexistente. E isso na ordem de Usd.2,1 milhões (previsão para 2015); Usd.2.2 milhões (2014); Usd.272 mil (2013); Usd. 398.6 mil (2012).

Dando sinais claros de querer enveredar pelo desagravo do caso, a IGAE enviou uma carta à Maka Angola, solicitando o recurso ao seu direito de resposta. Rafael Marques publicou no seu site a missiva da IGAE e apresentou provas do seu parecer – documento contabilístico irrefutável – e a indignada instituição do Estado, pelo que sabemos, até à data não tugiu nem mentiu, ficou tudo assim, aparentemente em águas de bacalhau. Vamos esperar para ver quais serão as várias e avariadas versões deste imbróglio.

Outro caso ainda de esbanjamento foi a importação de viaturas topo de gama pela Casa Militar da Presidência. Em 2013 importou 54 viaturas, enquanto no último trimestre de 2014 importou 1.034 veículos automóveis, uma subida vertiginosa de quase 2.000 por cento em relação a igual período de 2013. Procurem onde está a crise…

Esta crise económica do Estado angolano, que não é Angola é uma anedota mal contada. Vemos seres humanos com ambições na vida, engravatados, doutorados e condicionados pelo amor ao dinheiro, vir a público debitar “orações fúnebres e requiemes” em honra do falecido preço do petróleo, barbaramente apeado e substituído por um preço muito mais baixinho, tipo garnisé cambuta a tomar o lugar do galo. Segundo eles, um desastre de incalculáveis consequências, não fosse a suprema sapiência do Zécutivo.

Esses fazedores da desgraça dos angolanos, todos ou quase todos riquíssimos, levam a peito a sua missão e conseguem transformar o descalabro do Estado angolano em argumento sustentável da miséria do povo. O que contrasta de maneira eufórica (para eles, só para eles) com a sua exuberante, mas inexplicável riqueza material.

O expoente máximo desse tipo de gente é a princesa Isabel dos Santos, filha do presidente da República, uma empresária com costas largas e tentáculos cumpridos. Só na energia, essa senhora detém mais ou menos 1,6 milhões Baraks verdes e, no total das suas participações em empresas cotadas em Portugal, já meteu cerca de três mil milhões de euros no seu mealheiro, somando-se ainda, diz o Jornal Económico, os investimentos pessoais… Os 200 milhões que deu pela EFACEC, para ela são trocos.

A crise? Qual crise? Este espalhafato em seu redor é brincadeira, os angolanos estão em crise há 500 anos!

Partilhe este Artigo