A economia que, para alguns, tem na matemática a sua espinha dorsal, não pode ser vista como uma ciência de elucubrações políticas, pelo contrário ela, no seu desbobinar deve ser realista, pragmática e exacta, nos dados para apreciação e materialização.

Por William Tonet

I nfelizmente, para os angolanos, ao longo dos anos, não tem sido esta a prática do actual regime, que faz da economia, uma alavanca reprodutora de capitais, não visando o desenvolvimento sustentável do território, em primeira instância, mas o alimentar de fins partidocratas e o enriquecimento ilícito do núcleo restrito do poder.

Nesta perspectiva as contas nunca batem certo, são sempre empoladas, desvirtuam a realidade e, nem desta vez, mesmo com a crise da baixa do preço do petróleo alteram a postura enganosa.

A má gestão da economia nacional é encoberta com acções de propaganda política, algumas vezes baseada em obras de fachada e projectos megalómanos inviáveis. As centenas de exemplos estão a mão de semear, desde o pólo industrial de Kalandula, com uma grande fábrica de moagem de fuba de milho, cujos campos agrícolas só a alimentam por um período de produção de cerca de 4 horas, significando estar parada a maior parte do ano, ou ainda a Zona Económica Especial, que é um monstro adormecido face as débeis infra-estruturas, o pavilhão de Hóquei em Patins, em Luanda para alimentar o ego de Dos Santos, os vários estádios de futebol às moscas, etc..

Para os indígenas, em pleno século XXI, um dos maiores projectos de engenharia e arquitectura de Eduardo dos Santos é a implantação de fontanários como solução para a regularização do abastecimento de água, em Luanda e não só. Vergonhoso!

Como se pode verificar, sem lupa, é uma gestão perniciosa da economia nacional provocada e alimentada por um regime que tem mostrado, ao longo dos anos de poder absoluto e ditatorial, uma incompetência gritante, anti-patriótica e de espírito danoso, logo sem mais soluções, que não as de aumentar o fosso das desigualdades sociais.

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