O livro “Diamantes de Sangue”, do activista e jornalista Rafael Marques, disponibilizado gratuitamente – como aqui foi noticiado – na Internet pela editora Tinta da China, registou mais 15 mil partilhas em menos de 48 horas, disse a directora editorial.

O livro registou tal procura a partir dos sítios da editora (Tinta da China), Folha 8 e Maka Angola.

A responsável pela editora sublinhou que o número real de consultas “é superior” porque o livro em formato digital pode ser igualmente partilhado e consultado a partir de páginas pessoais, blogues, redes sociais ou outras publicações na Internet e que escapam à contabilidade oficial da Tinta da China.

Poderá fazer o download do livro em formato digital aqui

O livro “Diamantes de Sangue” ficou disponível gratuitamente, através da Internet, na segunda-feira ao fim da tarde, numa acção de solidariedade da editora, um dia antes do início do julgamento (adiado após a primeira audiência para 23 de Abril) do autor, em Luanda.

“Desta forma os angolanos que não têm acesso ao livro podem consultá-lo”, disse Bárbara Bulhosa.

Rafael Marques é acusado de “denúncia caluniosa”, por ter exposto abusos contra os direitos humanos na província diamantífera angolana da Lunda Norte, com a publicação, em Portugal, em Setembro de 2011, do livro “Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola”.

Os queixosos são – como habitualmente – sete generais, liderados pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, conhecido como “Kopelipa”, e os representantes de duas empresas diamantíferas.

O julgamento que teve início na terça-feira no Tribunal Provincial de Luanda acabou por ser suspenso até ao dia 23 de Abril, porque foram apresentadas novas queixas sem que o arguido tivesse sido notificado. Outra das anormalidades da normalidade oficial do regime.

“Estou cada vez mais preocupada porque o Rafael preparou-se para nove acusações mas chegou ao tribunal e passou a ter mais 15 novas acusações sem ter sido notificado. É óbvio que isto é preocupante”, salientou Bárbara Bulhosa.

Na terça-feira, Rafael Marques explicou que julgamento foi adiado por “questões processuais”, acrescentando que o processo o motiva “ainda mais” a continuar a denunciar abusos de direitos humanos em Angola.

“Isto não me vai fazer desistir de absolutamente nada. Antes pelo contrário. Isto só vem dar-me mais ânimo”, diz Rafael Marques.

Entretanto, a seção portuguesa da Amnistia Internacional (AI) disse hoje à Lusa que a organização vai solicitar um encontro com o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho. no sentido de sensibilizar as autoridades angolanas sobre o julgamento de Rafael Marques.

Além dos encontros que vão ser solicitados ao primeiro-ministro e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, a Amnistia Internacional vai pedir encontros com o Departamento de Estado norte-americano, em Washington, e com o chefe da diplomacia brasileira, Mauro Vieira, em Brasília.

“Portugal faz neste momento parte do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, tornando-se ainda mais importante o encontro com o governo português sobre Rafael Marques”, disse Teresa Pina, directora da seção portuguesa da AI.

Vê-se, sem grande dificuldade, que a AI não conhece nem Rafael Marques nem o Governo português. O primeiro precisa de ajuda de quem, como nós, acredita na sua luta e sabe que também ele nunca será derrotado porque, como alguns outros, vive para servir e não – como acontece com o regime angolano – para se servir.

Quanto ao actual Governo português, tal como com o anterior, a bajulação, sabujice e servilismo perante o regime de José Eduardo dos Santos é de tal grandeza que – por sua vontade – ajudaria a calar Rafael Marques.

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