O documentário “Uivo”, sobre o radialista António Sérgio, natural de Angola, estreia-se em Lisboa a 01 de Novembro, dia em que se cumprem cinco anos da morte do divulgador de música, disse o realizador, Eduardo Morais.

A estreia acontecerá no Palácio Foz, em Lisboa, estando previstas exibições posteriores em mais de vinte localidades, como Porto, Coimbra, Guarda, Barreiro, Aveiro, Faro, Guimarães e Caldas da Rainha.

Eduardo Morais começou a fazer o filme no ano passado, a partir de entrevistas a mais de três dezenas de pessoas, entre as quais Ana Cristina Ferrão, mulher de António Sérgio, os três filhos, assim como a músicos como Zé Pedro e Tó Trips, o jornalista Nuno Galopim e os antigos radialistas João David Nunes e Jaime Fernandes.

Foram 12 horas de entrevistas, para registar a vida de “uma das pessoas mais importantes da música portuguesa”, disse Eduardo Morais: “A sucessão de depoimentos, que quase não se repetem no filme, reforça o conceito de homenagem”.

O documentário está estruturado de forma cronológica, cruzando testemunhos de várias pessoas à medida que se desvenda o percurso profissional de António Sérgio, falecido em 2009 aos 59 anos.

No ano passado, quando iniciou a produção do filme, Eduardo Morais esclarecia à Lusa que não tinha crescido a ouvir os programas de rádio de António Sérgio, mas queria saber mais sobre ele.

Nascido em Angola, em 1950, António Sérgio dedicou 40 anos à rádio e à música, depois de se estrear na Rádio Renascença, em 1968, como locutor de continuidade.

Trabalhou na Valentim de Carvalho e foi responsável por programas de autor como “Rotação”, “Som da frente”, “Hora do lobo”, “Grande Delta”, “Lança chamas” e “Viriato 25”, que mantinha na rádio Radar, quando morreu.

Fez “voz-off” para a SIC, escreveu para jornais e revistas e dirigiu ainda a editora Rotação, que editou o single “Sémen”, dos Xutos & Pontapés, e surge como produtor nos créditos de “78/82”, o primeiro álbum da banda rock.

Eduardo Morais fez “Uivo” depois de ter rodado, também de forma independente, os documentários “Música em pó”, sobre coleccionadores portugueses de discos de vinil, e “Meio metro de pedra”, sobre o rock’n’roll português, desde o fim da década de 1950 até à actualidade.

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