O Governo moçambicano, UE e UNICEF encontraram num projecto de abastecimento de água que dessa forma evita que as crianças da província de Inhambane, sul de Moçambique, tenham de percorrer quilómetros para buscar água, mantendo-as mais tempo na escola.

D esignado AGUASANI, para captar as duas componentes da iniciativa (Água e Saneamento), com o empreendimento, as autoridades moçambicanas, a União Europeia (UE) e a UNICEF pretendem que cerca de 50 mil pessoas das vilas de Jangamo, Homoíne e Morrumbe, na província de Inhambane, passem, até 2017, a ter torneira em casa, com água potável, libertando as crianças para as aulas.

“Este é um dos grandes resultados que esperamos ter, em que tenhamos as crianças a dedicarem mais tempo à escola, mas também é importante que se fale das latrinas, porque o programa aqui prevê isso”, explicou Albino Novela, director provincial das Obras Públicas e Habitação de Inhambane, cerca de 500 quilómetros de Maputo, aos jornalistas, à margem de uma reunião com os parceiros da AGUASANI.

Estimando o acesso à água potável em 45,3% nas áreas rurais de Inhambane, contra 95% nas duas principais cidades da província, Albino Novela afirmou que a maioria da população dessas vilas recorre a fontes de fornecimento de água dispersas, nomeadamente rios e lagos, para poder ter água, geralmente turva.

Para a UNICEF, presente na iniciativa para garantir que o projecto resulta na melhoria da vida das crianças, Moçambique deve trabalhar para que mais crianças tenham acesso à água potável, porque cerca de metade deste grupo sofre de desnutrição crónica, em parte, associada à falta de água.

“Há uma ligação muito importante entre água, saneamento e redução de doenças, porque a água potável num meio salubre tem impacto na redução da desnutrição crónica, esta complicação tem sido responsável pelo fraco desenvolvimento físico e intelectual de milhares de crianças em Moçambique”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o representante-adjunto da UNICEF em Moçambique, Michel Le Pouch.

Responsável por nove dos 11 milhões de euros orçados para a AGUASANI, a UE entende que apoiar o sector de água em Moçambique é associar-se ao desenvolvimento do país, porque “não há desenvolvimento sem água”.

“O nosso envolvimento na AGUASANI é no seguimento do apoio que temos vindo a prestar ao sector de água no país, há muitos anos, porque entendemos que não há desenvolvimento sem água. Buscar água é um problema crítico para as crianças moçambicanas”, declarou Enrico Strampeli, chefe da Cooperação da Delegação da UE em Maputo.

Antes, quando se apresentou na sala de reuniões, Enrico Stampeli enunciou a filosofia da UE ao envolver-se na iniciativa. “Dando água, estaremos a dar futuro a uma geração, a geração das crianças que têm de ir buscar água, no lugar de estudar”.

Enquanto a AGUASANI ainda apronta os pormenores logísticos e burocráticos para levar água canalizada à sua casa, Almina Alfredo, 15 anos, ainda vai continuar a dividir o tempo entre os já atrasados estudos no sétimo ano e a lata de 25 litros que usa para ir buscar água num fontanário já degradado do Bairro 2 do distrito de Jangamo.

“Ir tirar água é a primeira coisa que faço quando volto da escola, porque vou às aulas muito cedo, às 07:00 da manhã, e não dá tempo”, relatou à Lusa Almina Alfredo, presente, por curiosidade, no local visitado pelos responsáveis pela AGUASANI a um fontanária em desuso em Jangamo.

Para Adelino, pedreiro, com 24 anos, a AGUASANI é a esperança de um dia ter uma torneira em casa e beber água limpa. “Talvez estes senhores possam ajudar, porque a água aqui é muito suja, temos dores de estômago a todo o tempo, por causa de água dos poços não tratada”, contou.

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