A coligação liderada pelos EUA voltou a bombardear posições do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque, antes mesmo de as Nações Unidas começarem a analisar em Nova Iorque a luta contra o alistamento de jihadistas estrangeiros.
Enquanto isso, os jihadistas executaram o turista francês que havia sido sequestrado este domingo, na Argélia.

Os aviões da coligação atacaram na madrugada desta quarta-feira posições e estradas de abastecimento do EI nos arredores da cidade curda de Ain al-Arab (Kobane em curdo), totalmente cercada por este grupo sunita ultra-radical, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Os Estados Unidos indicaram, por sua vez, terem realizado dois ataques na Síria e um no Iraque que destruíram ou danificaram veículos de combatentes do EI.

Os novos bombardeamentos ocorrem um dia depois de Washington dirigir uma série de 16 ataques contra o solo sírio – os primeiros contra este território -, em colaboração com os seus aliados árabes (Jordânia, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos). A França, por sua vez, também participou dos ataques aéreos contra o Iraque.

O presidente americano, Barack Obama, saudou a força da coligação organizada sob sua iniciativa para destruir o EI no Iraque e na Síria, onde este grupo extremista controla amplas zonas.

Entretanto, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou que o seu país, que até agora se limitara a entregar armas aos combatentes curdos, não tem outra opção a não ser lutar contra o EI, razão pela qual a imprensa britânica considera que pode considerar participar dos bombardeamentos.

Cerca de 12.000 combatentes estrangeiros procedentes de 74 países estarão a combater ao lado das organizações extremistas no Iraque e na Síria, segundo o Centro internacional para o Estudo da Radicalização, com sede em Londres.

A maior parte deles é proveniente de países do Médio Oriente  (Arábia Saudita, Jordânia) ou do Magreb (Tunísia, Marrocos), mas o número de europeus aumenta. O coordenador europeu para a luta contra o terrorismo, Gilles de Kerchove, contabiliza cerca de 3.000 pessoas.

Entretanto, os terroristas jihadistas voltaram a executar mais um refém. Após a morte dos jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Sotloff e do britânico David Haiens, foi difundido na internet mais um vídeo com a execução do turista francês Hervé Gourdel, neste caso com o título:  “Mensagem de sangue para o governo francês”, avança o jornal espanhol El Mundo.

Recorde-se que o Governo francês já tinha reconhecido que havia poucas esperanças em recuperar, com vida, o homem, pai de dois filhos, e que foi capturado este domingo e mantido refém depois do executivo gaulês se ter recusado a ceder às pretensões do Estado Islâmico.

O homem estava de férias na região de Cabilia, na zona este da Argélia, onde participava numa excursão. Após o sequestro, o estado Islâmico realizou um vídeo em que o francês apelava a François Hollande que fizesse todos os possíveis para o libertar.

O presidente francês já havia afirmado que estaria ao lado dos EUA e que tudo faria para ajudar o país de Barack Obama a tentar combater o terrorismo protagonizado pelos jihadistas.

“Faremos o possível para libertar os nossos reféns, mas não posso mudar a posição da França”, afirmou o ministro da Defesa, Laurent Fabius.

O vídeo da execução mostra imagens do presidente francês na conferência de imprensa em que anunciou a participação de França nos ataques contra o Estado Islâmico no Iraque, seguidas de imagens do refém, ajoelhado e com as mãos atrás das costas, rodeado por quatro homens armados. Um dos homens lê em seguida uma mensagem em que critica a intervenção dos “criminosos cruzados franceses” contra os muçulmanos na Argélia, no Mali e no Iraque. Surgem depois imagens de um dos ‘jihadistas’ com a cabeça do refém e o corpo deste caído no solo.

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