Se os angolanos não morrem em maior quantidade, a culpa não será com certeza de um Governo que está, todos os dias, a fornecer-lhes todos os instrumentos para terem sucesso. É assim desde 1975.

Por Orlando Castro

Todos sabemos algumas razões pelas quais o MPLA se recusa a abandonar o poder que tem nas mãos desde 1975, tal como as de José Eduardo dos Santos que está no poder dos poderes desde 1979. O Presidente quer ficar no lugar até que Deus decida outra coisa. E como ele é o seu representante na terra…

Na primeira fila do teatro da vida angolana está a subserviência, colectiva ou individual. E está na primeira fila, na ribalta, porque quer ser vista. Por outro lado, a competência, essa está lá atrás porque – modesta como sempre – apenas quer ver.

Um amigo, dos que está cá atrás, diz-nos que um dos que está lá na primeira fila pediu para sair, ameaçou demitir-se. Dito de outra forma, pôs o lugar à disposição. Ao justificar que essa atitude é bem nobre, o nosso amigo teve de mudar de lugar e ir bem mais lá para a frente.

No entanto, ao questionar a alusão à mudança de lugar, esse nosso amigo mostrou que é dos que pode e deve ficar cá atrás. Se entre a ignorância e a sabedoria só vai o tempo de chegar a resposta, só alguém inteligente é capaz de esperar pela chegada da resposta.

Os que sabem tudo, e que estão quase todos no MPLA e no círculo restrito do clã presidencial, esses estão na primeira fila. São sempre vistos pelo chefe, mesmo quando se põem de cócoras para o saudar.

Cá atrás estão igualmente os que entendem que se um jornalista não procura saber o que se passa no cerne dos problemas é, com certeza, um imbecil. Ainda mais atrás estão os que consideram que se o jornalista consegue saber o que se passa mas, eventualmente, se cala é um criminoso. Nenhum deles é, actualmente, do MPLA.

É por isto que os membros do Governo angolano, e de todas as outras instituições, estão sempre na primeira fila. E essa posição estratégica permite estender a mão ao “querido líder” e receber a respectiva bênção, verbal ou monetária.

E para que um cidadão não ande, apesar da barriga cada vez mais vazia, de mão estendida, o melhor que tem a fazer é – segundo as teses oficiais – aprender a viver em silêncio sem comer ou, em alternativa, estender a mão mas tendo entre os dedos uma pistola.

José Eduardo dos Santos defende que o Governo está a fazer o que lhe compete, tornando o país menos assimétrico e com mais equidade social.

Se os angolanos cumprirem, sem contestar, o que quer o Governo não voltarão a erguer-se, mas permitirão que os donos do país continuem bem direitos e a viver à grande em qualquer paraíso do mundo.

Eduardo dos Santos, mesmo que seja pela voz dos múltiplos sipaios da sua corte, considera que a Oposição não sabe o que diz e nem diz o que sabe. E tem razão, como ficou demonstrado na recente aprovação do Orçamento Geral do Estado. Com excepção da CASA-CE, todos os outros partidos aceitaram ser tapetes de luxo do poder do MPLA.

E com uma oposição assim, não admira que os angolanos estejam cada vez mais ao lado do MPLA. Aliás, o Governo até nem precisa da fazer grande coisa, basta-lhe pôr a oposição a tomar decisões.

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