A mulher do presidente do Zimbabué, conhecida como “Gucci Grace” ou a “Grande Consumista” quer, segundo meios políticos do país citados pela AFP, ficar a ser conhecida como “Senhora Presidente”.

O processo de sucessão do presidente Robert Mugabe, de 90 anos, vai intensificar-se com a luta pelas posições mais determinantes no Politburo do partido no poder, durante o congresso que começa hoje.

A mulher do presidente, Grace Mugabe, de 49 anos, prepara-se para conseguir uma posição de destaque na liderança do ZANU-PF, o partido no poder há 34 anos.

Na corrida ao poder, a facção de Grace Mugabe conta com a oposição sobretudo do grupo liderado pela vice-presidente Joice Mujuru.

Após ter sido nomeada presidente da Liga das Mulheres do ZANU-PF em Agosto, Grace lançou de imediato uma campanha contra Mujuru, acusando-a de corrupção e de conspiração contra o presidente Robert Mugabe.

Em Novembro, Mujuru, uma antiga combatente da guerrilha que ocupou postos governamentais desde a independência em 1980 começou a ser afastada do cargo que ocupava no partido.

O ministro da Justiça, Emmerson Mnangagwa, é também um dos potenciais candidatos, apesar de Grace ter sido informalmente apontada pelo marido como a figura que deve dar continuidade à “dinastia” Mugabe no Zimbabué.

Nascida a 23 de Julho de 1965 na África do Sul, Grace Marufu Mugabe, começou a relacionar-se com o presidente no início dos anos 1990, numa altura em que eram ambos casados.

Casaram-se em 1996 depois da primeira mulher de Mugabe ter morrido e após Grace ter conseguido o divórcio do marido, um oficial da força aérea que acabou por ser transferido para um posto oficial de Harare na China.

Robert Mugabe e Grace têm três filhos em comum sendo que a mulher do presidente tem um filho mais velho do primeiro casamento.

Como primeira dama, Grace viveu muito afastada do público sobretudo nos primeiros anos de casamento, altura em que começou a fazer uma série de viagens para compras no estrangeiro tendo ficado conhecida como “Gucci Grace”.

Em 2009, atacou um fotógrafo britânico em Hong Kong que tentava tirar fotografias no hotel de luxo onde Grace se encontrava hospedada.

Em 2013, a mulher de Mugabe disse mesmo durante uma entrevista a um programa de rádio na África do Sul que não se preocupa com o que as pessoas pensam dela.

“Desenvolvi uma protecção, já não me importo”, disse.

Mesmo assim, foram feitos esforços para que a imagem da mulher do presidente fosse alterada, sobretudo através dos meios de comunicação social governamentais, com os apoiantes a tratarem Grace como “mãe”, “unificadora” ou “rainha das rainhas”.

Esta semana a rua principal de acesso ao local onde vai realizar-se o congresso passou a ter o nome Grace Mugabe.

Robert Mugabe deve ser confirmado como líder do partido mas a luta pelos lugares mais destacados do Politburo é importante porque vai determinar a sucessão no futuro.

A família presidencial tem muito a proteger quando Robert Mugabe deixar o poder ou morrer, sobretudo propriedades agrícolas que pertenciam a fazendeiros brancos que perderam os terrenos durante o controverso processo da reforma agrária no Zimbabué.

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