Os maiores empresários espanhóis afirmam estar confrontados com uma verdadeira ameaça que é necessário conter. Face a esta investida, e à tentativa dos meios de comunicação no sentido de debilitar a direcção do movimento, o Podemos responde não ter medo e estar disposto a lutar pela liberdade e democracia.

S egundo o El País, o empresariado “vive com inquietude a ascensão de Podemos”. Durante o Congresso do Fórum dos Empresários, várias foram as vozes que reclamaram aos partidos que reajam à ascensão do grupo liderado por Pablo Iglesias.

“É preciso levar o Podemos muito a sério, já que se converteu em algo mais que a experiência que se provou nas eleições europeias. É uma realidade e diria também que uma ameaça”, avançou um empresário, citado pelo jornal diário espanhol.

O facto de o Podemos ter como líder uma pessoa “instruída e carismática” e de estarem perante “pessoas inteligentes e muito ambiciosas que vão fazer de tudo para levarem as suas boas intenções a um programa” retira o sono aos líderes das maiores empresas do Estado Espanhol, que se sentem muito perturbados pelas mensagens “intervencionistas” que o movimento lançou em todas as frentes.

Os empresários alertam que o Podemos não é um caso passageiro, temendo que a proliferação das denúncias sobre os casos de corrupção se traduza num somar de apoios a esta formação.

“Os políticos preocupam-se mais com as eleições e com as sondagens do que com a sociedade e os empresários, e não reagem até ver as orelhas do lobo, um lobo que pode ser o Podemos”, avança outro empresário.

O presidente da Pikolín, Alfonso Soláns, e o presidente de Freixenet, José Luis Bonet, não se coibiram de assumir a sua preocupação perante o êxito do Podemos. Bonet garantiu, inclusive, estar disposto a liderar uma frente empresarial contra o movimento.

O porta-voz do Podemos, Juan Carlos Monedero, anunciou que o movimento decidiu “passar ao contra ataque” perante a ofensiva dos meios de comunicação contra os mais destacados membros da sua direcção.

“Estamos conscientes de que, após a eleição da direcção do Podemos, se tem orquestrado um ataque com vista a debilitar os rostos com maior presença, por forma a enfraquecer a organização”, frisou Monedero, acusando os meios de comunicação de confrontar com ‘métodos sujos’ o que “não são capazes de confrontar com argumentos”.

Sobre a polémica levantada depois da acusação da Telecinco de que Iglesias tinha recusado um convite da Mediaset para uma entrevista, o porta-voz do Podemos esclareceu que foi a cadeia de televisão que não aceitou que o Podemos se fizesse representar por cinco dos seus dirigentes – Pablo Iglesias, Carolina Bescansa, Luis Alegre, Íñigo Errejón e o próprio Juan Carlos Monedero.

“Podemos passa ao contra ataque. Dizemos que não temos medo. E o medo da casta, convertido em ameaças à democracia, não se vai converter, uma vez mais, num povo atemorizado por formas de ditadura”, afirmou Monedero.

“Diz o presidente da Freixenet que vai liderar uma frente empresarial contra o Podemos. Lembra-nos o Chile de Salvador Allende. Não o vamos tolerar. Vivemos em democracia e estes comportamentos atentam contra a possibilidade que deve ter a cidadania para eleger em liberdade o seu Governo”, concluiu o porta-voz e fundador da formação.

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