Mais de 56 responsáveis com o estatuto de vice-ministro ou superior já foram “abatidos” no âmbito na campanha anticorrupção lançada há dois anos pela nova liderança comunista da China. Por cá seriam, certamente, promovidos.

O número foi divulgado a propósito do mais recente “tigre” denunciado pelas autoridades, o vice-presidente da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês e membro do Comité Central do PCC, Ling Jihua.

Ex-director do Comité Central do PCC, associado ao antigo presidente Hu Jintao, Ling Jihua “está a ser investigado por suspeita de grave violação da disciplina”, anunciou a Comissão Central de Controlo e Disciplina.

Depois de assumir a chefia do PCC, em Novembro de 2012, o actual presidente, Xi Jinping, disse que o combate à corrupção visaria “as moscas” mas também “os tigres”, numa alusão aos quadros dirigentes que pareciam estar acima da lei.

Como em Angola, nesta matéria, só há moscas, é evidente que só as zungueiras são culpadas de corrupção. Quanto aos leões e restante felinos que se situam no topo da cadeia alimentar, esses estão imunes. A bem do regime, entenda-se.

O maior “tigre” preso até agora foi o antigo ex-chefe da Segurança Zhou Yongkang, o primeiro ex-membro do Comité Permanente do Politburo do PCC, a cúpula do poder, acusado de corrupção.

A lista dos “mais de 56 responsáveis abatidos” inclui um antigo vice-presidente da Comissão Militar Central, o general Xu Caihuo, que chegou a ser o “número dois” das Forças Armadas chinesas.

Em Março de 2012, quando o filho de Ling Jihua morreu ao volante de um Ferrari, o então director do Comité Central do PCC era considerado uma figura em ascensão na hierarquia chinesa.

Ling Jihua, 58 anos, terá tentado encobrir o acidente que matou o filho e feriu gravemente as duas jovens que o acompanhavam, uma das quais acabaria por morrer.

O assunto ainda é tabu. Em vez de mencionar o filho de Ling Jihua, a imprensa oficial (similar aos nossos Jornal de Angola, TPA, RNA, Angop) diz apenas que o Ferrari – veículo que o salário de um líder comunista jamais poderia comprar – era conduzido por “um parente próximo”.

Antes mesmo do XVIII Congresso do PCC, realizado oito meses depois, Ling Jihua foi afastado do cargo, mas manteve-se no Comité Central.

Dois irmãos de Ling Jihua – Ling Zhengce e Ling Wancheng – foram entretanto presos por corrupção.

“É muito provável que Ling tenha também usado o poder que detinha para ajudar a família a encobrir os seus negócios sujos”, disse hoje o Global Times, jornal do grupo Diário do Povo, o órgão central do PCC.

O Global Times salienta que Ling Jihua fazia parte da “mais poderosa elite do governo”, mas adverte que “a disciplina do partido e a lei não lhe proporcionarão qualquer clemência”.

Horas antes de ser conhecida a decisão de investigar Ling Jihua, a Comissão Central de Controlo e Disciplina anunciou a detenção de outro alto funcionário suspeito de corrupção, Shen Weichen, ex-chefe do PCC na China Association for Science and Technology.

O combate à corrupção, assumido como “uma luta de vida ou de morte” para restaurar a credibilidade do PCC, tem sido uma prioridade da liderança de Xi Jinping.

É a mais persistente campanha do género realizada nas últimas décadas, projetando Xi Jingping como um líder da estatura de Mao Zedong (1893-76) e Deng Xiaoping (1904-97).

Xi Jinping, 61 anos, representa a chamada “quinta geração de líderes da Nova China”, a primeira nascida já depois de o PCC tomar o poder, em 1949.

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