Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) garanta que o Ébola atingirá um pico de entre 5.000 e 10.000 novos casos por semana no início de Dezembro, um microbiólogo norte-americano diz que “não há interesse no Ébola porque mercado é muito pequeno”. Além disso, acrescentamos nós, a esmagadora maioria das mortes acontece longe dos ditos países civilizados.

Um microbiólogo norte-americano que estuda o Ébola há cerca de 15 anos diz que a falta de interesse por parte das grandes farmacêuticas deve-se ao facto de, até há pouco tempo, a doença ser pouco comum. Em entrevista ao El País, Christopher Basler diz, no entanto, que estão mais perto de uma cura.

“Já temos algum progresso [na procura da cura para o Ébola] graças aos governos que se interessaram em financiar investigações, realizadas por laboratórios científicos e pequenas empresas biotecnológicas. As grandes empresas farmacêuticas não se interessaram por este tipo de vírus porque até agora era pouco comum. O mercado é muito pequeno. Do ponto de vista económico, não é compatível que as grandes farmacêuticas tentem desenvolve medicamento para a cura”.

Na entrevista ao El País, Christopher Basler explicou, no entanto, que as grandes farmacêuticas não são culpadas pela propagação do vírus e que é preciso centrar todas as atenções em produzir uma cura, agora que já existem pistas prometedoras nesse sentido.

Há um ano, a sua equipa descobriu a proteína do vírus que desactiva as defesas do organismo e abre caminho ao ‘ataque’ sobre todo o corpo. Christopher Basler procura agora um fármaco que bloqueie essa proteína, em colaboração com o virólogo Thomas Geisbert, que trabalha todos os dias com macacos infectados com Ébola, no Laboratório Nacional de Galveston, Texas (EUA).

O investigador adiantou, ainda, que já receberam apoio dos EUA para continuar a investigação mas ainda se encontram em fases iniciais.

Entretanto, o director-geral adjunto da OMS, Bruce Aylward, adiantou que a taxa de mortalidade da epidemia se situa nos 70 por cento nos três países da África Ocidental mais afectados — Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri.
A OMS estima que a partir do pico de entre 5.000 e 10.000 casos em Dezembro, o número de infectados comece a diminuir paulatinamente graças às acções da luta contra a infecção que estão a ser aplicadas.

O representante da OMS sublinhou que esta é apenas uma previsão que pretende orientar a luta internacional contra o vírus, que provoca febre hemorrágica.

A contagem mais recente do actual surto de Ébola indica a existência de 8.194 infectados, dos quais 4.447 morreram. Bruce Aylward sublinhou que a grande maioria dos casos se mantêm naqueles três países africanos.
Em teoria, parece apontar-se para uma taxa de sobrevivência de 50 por cento, mas os números mascaram a realidade, destacou o director-geral adjunto da OMS.

“Há estes casos que conhecemos, estas mortes que nos são reportadas, mas isso não significa que se divida um número pelo outro e dizer quantas pessoas esta doença mata”, esclareceu.

“Para ter esse número, é preciso pegar num grupo de pessoas, segui-las durante o curso da doença e perceber quantos sobrevivem. Neste conjunto de pessoas, que nós sabemos que estão doentes e conhecemos o desfecho, o que estamos a encontrar é uma mortalidade de 70 por cento, é quase o mesmo número nos três países”, declarou Bruce Aylward.

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