O ministro dos Petróleos de Angola defendeu hoje a estabilização dos preços do crude, através da intervenção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), sinal entendido pelos analistas como disponibilidade para reduzir a produção.

O titular da pasta dos petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos, falava aos jornalistas em Viena, na Áustria, na véspera da reunião da OPEP que vai analisar a forte quebra na cotação do barril do petróleo no mercado internacional.

Uma das soluções para combater o cenário actual passa por reduzir a produção, para fazer subir os preços, mas solução não tem sido aparentemente consensual.

“Vamos analisar a situação e acho que vamos chegar a um consenso”, apontou José Maria Botelho de Vasconcelos, citado pelo Dow Jones Business News, que classifica esta posição como uma “insinuação” de que Angola, o segundo maior produtor de petróleo da África subsaariana, poderá “apoiar um movimento para controlar a produção” dentro da OPEP.

O ministro angolano comparou a actual situação, com o barril de petróleo a cair cerca de 30 dólares em poucas semanas, com o cenário vivido em 2008, quando os membros da OPEP cortaram “drasticamente” a exportação para travar uma queda acentuada dos preços.

Para Botelho de Vasconcelos, o cenário ideal passa por recuperar os cem dólares por barril de petróleo. “É bom para todos nós: para os mercados, para os Estados, para os investidores, para os consumidores”, afirmou.

Esta posição surge também numa altura em que a proposta do Orçamento Geral do Estado angolano para 2015 fixa em 81 dólares a previsão do preço médio do barril de petróleo para exportação.

No OGE deste ano o valor é de 98 dólares, tendo a exportação de petróleo assegurado, no exercício de 2013, por si só, 76% das receitas públicas angolanas. Contudo, o barril de petróleo está agora a ser comprado, no mercado internacional, a menos de 80 dólares.

“Nós, em Angola, estamos a produzir em águas cada vez mais profundas, em que os preços do custo do barril são cada vez mais elevados. É necessário que o preço da venda tenha determinados níveis, para que os projectos que já estão em carteira possam ser desenvolvidos”, apontou em Outubro José Maria Botelho de Vasconcelos.

Já na altura o ministro admitia como possibilidade “cortes na produção” internacional.

“Poderão elevar o preço do petróleo para os níveis que normalmente são aceitáveis ao nível da organização, que são cerca de cem dólares, ou acima dos cem dólares por barril”, disse.

No documento proposto pelo Executivo para 2015, está previsto um incremento de 10% na produção petrolífera angolana, comparando com a produção deste ano, elevando a 1.830.000 barris por dia.

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