O vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas, veio cá há bem pouco tempo dizer que os bancos centrais de Angola e de Portugal estão a trabalhar em conjunto na situação no Grupo Espírito Santo e ramificações nos bancos do grupo nos dois países. Em estudo estará, previsivelmente, a dose de sabão a usar para um melhor branqueamento.

A posição do governo português foi transmitida aos jornalistas após uma audiência de quase uma hora entre Paulo Portas e o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no âmbito da visita do vice-primeiro-ministro português.

“Eu serei naturalmente discreto sobre essa matéria, mas sempre poderei adiantar que os reguladores de Angola e de Portugal têm trabalhado conjuntamente e eu confio nas medidas de estabilização que saberão encontrar”, afirmou Paulo Portas.

O Banco Espírito Santo detém, detinha na altura, 55,71 por cento do BES Angola, instituição bancária que segundo o próprio regulador angolano apresenta problemas na carteira de crédito. Forma simpática e já branqueada de referir as vigarices protagonizadas por altos dignitários do regime.

Embora sem adiantar o teor da conversa com José Eduardo dos Santos ou a solução técnica para o caso, Paulo disse apenas entender que a articulação em curso é um “sinal com confiança”.

Na mesma altura o Governador do Banco Nacional de Angola (BNA) admitia existir um “problema” na carteira de crédito do BESA, perspectivando a necessidade de um reforço de capitais.

“Há um problema nesta altura identificado com a qualidade da carteira de crédito do Banco Espírito Santo [Angola]. Temos operações em situação irregular, operações de crédito malparado”, disse José de Lima Massano.

O Governador fora questionado pelos deputados da Oposição sobre os relatos de um volume de crédito malparado naquele banco que poderia atingir os 5,7 milhões de dólares e que teria sido alvo de cobertura parcial por uma garantia soberana do Estado angolano.

O Governador do BNA explicou na altura que a instituição estava a ultimar a conclusão de uma avaliação à situação daquele banco, mas admitiu um cenário de “reforço dos capitais por parte dessa instituição”, entre outras “recomendações” do regulador angolano para “mitigar as irregularidades e inconformidades detectadas” no BESA.

“Não está em causa nem a garantia dos depósitos constituídos junto do BESA nem as responsabilidades que esse banco tem perante terceiros. E muito menos a estabilidade do nosso sistema financeiro”, disse José de Lima Massano.

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