Peritos militares internacionais vão iniciar hoje a fiscalização do processo de desarmamento do braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição em Moçambique.

De acordo com o chefe da delegação governamental que negociou o processo com a Renamo, José Pacheco, os 93 peritos militares, 23 dos quais estrangeiros, vão começar a trabalhar nas cinco províncias escolhidas para o acompanhamento do desarmamento.

Portugal é um dos nove países convidados pelo Estado moçambicano para integrar a equipa de peritos militares internacionais que vão acompanhar o desarmamento do braço armado da Renamo.

O desarmamento é parte do acordo que o líder do partido, Afonso Dhlakama, assinou no dia 05 de Setembro com o chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, visando acabar com pouco mais de um ano e meio de confrontos entre homens armados da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, principalmente na região centro do país.

O Governo moçambicano anunciou na segunda-feira que vai disponibilizar 300 vagas no exército e na polícia para os homens do braço armado da Renamo, ao abrigo do acordo de paz.

O Governo aguarda porém que a Renamo envie a lista com os nomes dos homens que pretende integrar nas forças de defesa e segurança de Moçambique.

Para a Renamo, o que está em causa não é o número mas o modelo da incorporação dos seus elementos nas forças de defesa e segurança.

“Temos de aprovar o mais cedo possível o modelo de reintegração”, defendeu, também na segunda-feira, Saimone Macuiana, chefe da delegação de negociadores da Renamo, acrescentando que só isso tornará efectivos os acordos já alcançados.

O acordo entre o governo moçambicano e a Renamo, assinado já em plena campanha para as eleições gerais de 15 de Outubro, encerrou formalmente 17 meses de confrontos militares na região centro do país, provocando um número desconhecido de mortos e milhares de deslocados.

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