O maior partido da oposição cabo-verdiana criticou hoje a “falta de clareza” do Governo no processo de fusão, em estudo, entre a Rádio e Televisão de Cabo Verde (RTC) e a agência de notícias Inforpress.

Num comunicado, o coordenador do Gabinete de Comunicação do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), Lourenço Lopes, o partido a que pertence não consegue ter um posicionamento oficial perante a falta de clarificação do projecto, que o executivo de José Maria Neves anunciou em Janeiro último.

Na ocasião, o então ministro dos Assuntos Parlamentares cabo-verdiano, Rui Semedo, substituído segunda-feira última por Démis Lobo, salientou que o projecto de fusão seria apresentado até ao final deste ano, sem indicar mais pormenores.

Um mês depois, em Fevereiro, a Inforpress deixou de contar com um conselho de administração, estando a gestão provisória a ser assegurada desde então pela jornalista Joana Olinda Miranda, quadro da RCV, que já desempenhou funções de chefe do departamento de informação e foi directora da emissora pública.

Segunda-feira última, após a posse dos novos membros do Governo na sequência de pequena remodelação ministerial de 18 deste mês, José Maria Neves, questionado pelos jornalistas sobre o assunto, nada adiantou, enquanto Démis Lobo não falou então à imprensa.

No entanto, três dias depois, e sem grandes pormenores, Démis Lobo acabou por falar sobre o tema e admitiu, “sem qualquer tipo de compromisso”, que o executivo pode vir a “reavaliar” o dossiê.

Hoje, no comunicado, saído na sequência de um encontro de Lourenço Lopes com os directores da Televisão de Cabo Verde (TCV), Júlio Rodrigues, e da Rádio de Cabo Verde (RCV), Anatólio Lima, o MpD exigiu a “clarificação” do projecto.

“Tal como noutras matérias relevantes para o país, o Governo tem demonstrado falta de clareza, ausência de sentido estratégico, resultante da instabilidade a nível da liderança política do sector. A visão estratégica para o sector não pode depender dos ministros que entram e saem. O sector da comunicação social tem sido o parente pobre dos vários governos do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde, no poder desde 2001)”, afirmou.

Lourenço Lopes criticou também a “grande presença” das actividades do Governo nos diferentes serviços noticiosos das duas emissoras, congregadas na RTC, defendendo um tratamento ao líder do MpD, Ulisses Correia e Silva, equiparado ao do primeiro-ministro.

Lourenço Lopes sublinhou que os encontros com a comunicação social são “essenciais” para o estabelecimento de um “diálogo regular, aberto e leal” com os jornalistas, salientando que os partidos e os “media” são “elementos necessários e estruturantes” do sistema democrático.

Ao longo das próximas semanas o MpD vai continuar os contactos com outros órgãos de comunicação social do país, terminando a “ronda” com uma reunião com a Associação dos Jornalistas Cabo-Verdianos (AJOC).

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