O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano reivindicou o direito de a Frelimo usar o ‘slogan’ “A força da mudança” na campanha para as eleições gerais de 15 de Outubro por ser uma qualidade da governação, que analisa, corrige e renova-se.

“Mantemos a continuidade do que é positivo e fazemos a mudança, não é só de pessoas, mas de formas de fazer”, disse em Londres o antigo chefe de Estado, a propósito da mudança prometida pelo partido que governa Moçambique há 40 anos e que lançou o ex-ministro da Defesa Filipe Nyusi para a sucessão do actual Presidente, Armando Guebuza.

“Eu próprio, quando deixei o poder, foi porque achei que era bom provocar uma mudança. Às vezes ajuda, às vezes é perigoso, mas enfim”, afirmou Chissano.

O ex-Presidente moçambicano disse estar “optimista sobre o futuro de Moçambique”, confiante no fim do conflito com a Renamo e desvaloriza os incidentes registados durante a campanha eleitoral para as eleições.

“Penso que isso está ultrapassado”, declarou o ex-Presidente moçambicano, a propósito das confrontações militares entre exército e os homens armados do maior partido de oposição, que duraram mais de um ano e meio.

“Houve a assinatura de acordos e há a participação de todos os partidos, incluindo o partido que queria inviabilizar as eleições”, assinalou, referindo-se à força liderada por Afonso Dhlakama.

“Pelas informações que tenho – apesar de estar a viajar há algumas semanas -, as eleições estão a decorrer num ambiente de festa, com um incidente aqui e acolá que foram reportados, mas isso não mancha o carácter festivo, o que é bom”, afirmou.

Por isso o ex-líder da Frelimo proclamou: “Estou optimista sobre o futuro de Moçambique”.

Sem comentar os cenários que podem sair das eleições, nomeadamente o de um parlamento mais equilibrado, Chissano argumentou que já existe uma grande participação cívica na governação do país.

“Nesse sentido, em Moçambique, temos sido um país diferente, para não dizer muito. Há acções que nós praticamos em Moçambique que muito pouca gente presta atenção. Quando falamos de democracia participativa, em Moçambique praticamos essa democracia participativa”, garante.

Chissano recorda o tempo que passava ainda antes de ser Presidente da República, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros e até durante de férias, “a contactar as populações para poder fazer a política externa com base no sentimento da população”.

Actualmente, argumentou, “as pessoas têm onde falar, não é só através do parlamento” e “a sociedade civil cresceu muito em Moçambique e participa”.

“Temos o Observatório Eleitoral, que é muito activo, temos uma organização para os direitos humanos que é muito activa e às vezes ruidosa, e temos uma imprensa também muito activa, livre e independente – alguns não são independentes”, frisou.

Enumerou ainda outras entidades, como o Conselho Nacional da Juventude, organizações religiosas e as assembleias regionais e locais.

“Há esta descentralização do poder que está a ser feita de uma forma progressiva para ser feita de uma forma segura”, afirmou.

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