O Movimento Revolucionário de jovens angolanos, cancelou a manifestação agendada para 04 de Outubro face à revogação, decidida pelo Presidente da República, da promoção a brigadeiro de um dos alegados autores do homicídio de dois opositores do regime.

A informação foi hoje confirmada por Adolfo Campos, porta-voz do movimento, que desde 2011 tem promovido diversas manifestações em Luanda de contestação ao regime de José Eduardo dos Santos, envolvendo sempre confrontos com a polícia.

“Cancelamos a manifestação devido à decisão da revogação. Mas vamos estar o com olho aberto, caso mudem alguma coisa”, afirmou Adolfo Campos.

Recorde-se, como o Folha 8 divulgou profusamente, o Presidente da República revogou a promoção a brigadeiro de um dos autores (António Manuel Gamboa Vieira Lopes) do homicídio de dois opositores ao regime,  Alves Kamulingue e Isaías Cassule, e que levou o Tribunal Provincial de Luanda (TPL) a declarar-se incompetente para fazer o julgamento.

Eduardo dos Santos quer que o general Geraldo Sachipengo Nunda,  Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, explique a tocaia em que foi envolvido sem nada saber (como se isso fosse possível), ao que diz.

António Manuel Gamboa Vieira Lopes, “Tó” para os mais chegados, foi promovido ao Grau Militar de Brigadeiro por decisão de José Eduardo dos Santos na sua qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas.

Os raptores de Kamulingue foram António Manuel Gamboa Vieira Lopes, então delegado do SINSE em Luanda, Paulo Mota, delegado adjunto do SINSE Luanda, Comissário Dias do Nascimento, 2º comandante provincial de Luanda, Manuel Miranda, chefe de Investigação Criminal da Ingombota e Luís Miranda, chefe dos Serviços Sectores do Comando de Divisão da Ingombota.

Com base nas diligências realizadas e na matéria de facto carreada para o processo, no dia 5 de Novembro do ano passado processaram-se as primeiras detenções de Lourenço Sebastião, chefe do SINSE-Viana, Paulo Mota, delegado adjunto do SINSE-Luanda e Loy, agente do SINSE-Luanda.

Nas suas primeiras declarações, em acto de interrogatório, na Procuradoria-Geral da República, todos foram unânimes em acusar Sebastião Martins e António Manuel Gamboa Vieira Lopes, como mandante dos assassinatos.

A informação da anulação da promoção de António Manuel Gamboa Vieira Lopes consta de uma ordem assinada pelo Comandante-Em-Chefe e Presidente da República, de 22 de Setembro. Além da revogação, a ordem 30/14 determina a abertura de uma investigação à instrução do processo de promoção por, à data, António Manuel Gamboa Vieira Lopes já se encontrar detido.

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