O apuramento dos resultados das eleições gerais em Moçambique, disputadas na quarta-feira, estava hoje atrasado em alguns dos 128 distritos do país, tendo sido alargado até segunda-feira o prazo para fechar esta fase da contagem.

O porta-voz do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) esclareceu à Lusa que, após os apuramentos distritais, haverá um outro ao nível de cada uma das onze províncias do país, o que pode demorar mais cinco dias, antes do anúncio dos resultados oficiais preliminares pelas entidades eleitorais centrais, em Maputo, que ocorre até 15 dias após a votação, ou seja, até 30 de Outubro.

Segundo Lucas José, o processo de contagem registava hoje alguns atrasos, sobretudo nas províncias do centro e norte, incluindo Nampula e Zambézia, que correspondem aos maiores círculos eleitorais do país, com mais de um terço dos mandatos para a Assembleia da República, mas admitiu que outras terminem o processo mais cedo e divulguem rapidamente os seus resultados.

O círculo de Maputo Cidade, por exemplo, já anunciou para a manhã de segunda-feira a divulgação dos resultados preliminares da província da capital moçambicana.

Apesar de o STAE ter interrompido na sexta-feira a divulgação de resultados nacionais, enquanto decorrem os apuramentos distritais e provinciais, dados hoje publicados pelo jornal estatal Domingo com base nas entidades eleitorais davam conta de que o candidato presidencial da Frelimo (no poder desde a independência), Filipe Nyusi, conservava a liderança na contagem das presidenciais, quando estavam processadas mais de metade das mesas de votação.

Nyusi seguia à frente, com 62,13% dos votos, seguido de Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, com 31,06%, e de Daviz Simango, líder do MDM com 6,81%.

O jornal não fez referência aos resultados das legislativas, remetendo apenas para uma projecção do Observatório Eleitoral, a maior entidade de observação da votação de quarta-feira, que apontava para uma vitória da Frelimo, com cerca de 55%.

Os dois principais partidos de oposição já denunciaram alegadas fraudes no processo, nomeadamente enchimento de urnas com votos pré-marcados a favor da força política no poder, Frelimo, e do seu candidato presidencial, falta de cadernos nas mesas de voto, que abriram tarde e fecharam cedo demais, além de intimidação da polícia e ainda falta de transparência no processo de contagem, incluindo editais de mesas com mais votos em Nyusi do que o total de eleitores inscritos.

Afonso Dhlakama considerou no sábado que as eleições foram uma “fantochada”, mas acrescentou ser ainda “cedo demais para dizer o que vai acontecer”, do mesmo modo que considerou prematuro declarar quem ganhou a votação ou reconhecer os resultados.

Contudo, o seu porta-voz declarou na quinta-feira a vitória da Renamo e do seu candidato presidencial e a não aceitação do processo eleitoral.

Os três principais partidos realizam contagens paralelas à do STAE, mas é incerto se algum deles fará a divulgação do seu apuramento antes das entidades eleitorais.

As conclusões das missões internacionais de observação eleitoral tiveram em comum as referências a irregularidades no processo, mas não de forma a colocar em causa as eleições realizadas na quarta-feira, e já foi desmobilizada a maior parte do seu pessoal destacado em todo o país, mantendo-se poucos observadores na fase de contagem.

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados a escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais. No escrutínio concorreram três candidatos presidenciais e 30 coligações e partidos políticos.

Partilhe este Artigo