As Forças Armadas da Guiné-Bissau celebram hoje 50 anos de existência debaixo de contestação da população pelas “atrocidades e instabilidade” de que são mentores, reconheceu o chefe da instituição, general Biaguê Nan Tan.

N o seu discurso para assinalar a efeméride no Quartel-General em Bissau, o general Nan Tan começou por fazer uma resenha histórica do surgimento das Forças Armadas aos dias que correm para salientar uma “grande distância que hoje existe” entre os militares e a população.

“Somos uma instituição heróica do passado glorioso, mas hoje transformámo-nos nuns inúteis ao ponto de a população fugir de nós. Temos que acabar com essa situação”, defendeu o general Nan Tan.

Para o chefe das Forças Armadas, a população guineense “tem razão” de fugir da tropa que, “ao invés de a defender, a maltrata”, acusou.

“Temos que parar de cometer atrocidades, bater, espancar a população, temos que acabar com isso”, frisou o chefe das Forças Armadas, salientando que a formação para jovens militares constitui uma das suas tarefas no âmbito da reorganização da instituição.

O general voltou a vincar a sua determinação em pôr a tropa a subordinar-se ao poder político democraticamente eleito e a ainda a trabalhar para que as Forças Armadas recuperem o “respeito e o prestígio” do passado.

Nesse capítulo, lembrou que no passado as Forças Armadas guineenses participavam em missões de pacificação de outros países africanos de língua oficial portuguesa, mas hoje são esses países que mandam conselheiros para a Guiné-Bissau.

Para Biaguê Nan Tan “é uma vergonha” quando as Forças Armadas guineenses são referidas como sendo causadoras da instabilidade no país.

Volvidos que foram 50 anos da existência das Forças Armadas guineenses, o general Nan Tan disse ter chegado a altura de preparar “a passagem de testemunho” dos ex-guerrilheiros para uma “tropa moderna e republicana”, tarefa para qual disse contar com a colaboração de todos os veteranos da instituição.

As comemorações do 50º aniversário das Forças Armadas contaram com as presenças de vários veteranos, com destaque para os ex-comandantes Manuel dos Santos (Manecas) e Lúcio Soares.

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