A Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu hoje a sua nova directora para a África, a médica do Botsuana Matshidiso Rebecca Moéti, que irá substituir o angolano Luís Gomes Sambo.

Anova directora para a África da OMS foi eleita por representantes dos países africanos que estão reunidos em Cotonou, no Benin, na reunião anual do comité regional da entidade.

Matshidiso Rebecca Moéti substituirá o médico angolano Luís Sambo — que cumpriu dois mandatos na liderança da estrutura regional da OMS, iniciado a 01 de Fevereiro de 2005 e que agora cessa funções – no início de 2015.
Durante esta 64.ª reunião do comité africano da OMS, que integra 47 países, será feito também o balanço das actividades desenvolvidas na região entre 2012 e 2013, abordando ainda os progressos na concretização dos objectivos do desenvolvimento do milénio em termos de Saúde.

A OMS está a ser fortemente criticada por reagir tarde no combate da epidemia do Ébola, que já contaminou cerca de 14 mil pessoas e matou perto de cinco mil, em oito países, maioritariamente na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri.

“Vou trabalhar para melhorar a capacidade de deslocação no terreno hoje nos três países seriamente atingidos pelo vírus Ébola para que possamos controlar esta epidemia”, prometeu Matshidiso Rebecca Moéti, uma antiga representante regional adjunta da OMS.

“Vou trabalhar com parceiros para melhorar o apoio ao sistema de saúde da Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri”, acrescentou a médica do Botsuana.

Apesar dos alertas repetidos de organizações não-governamentais, como os Médicos Sem Fronteiras (MSF), somente a 08 de agosto a entidade regional soou o alarme, declarando o surto de Ébola na África Ocidental “uma urgência mundial”, apelando a uma “resposta internacional coordenada”, após 20 semanas após a aparição dos primeiros casos suspeitos.

No final de Setembro, em Luanda, Luís Gomes Sambo advertiu que a epidemia estava a progredir exponencialmente no continente.

“A situação é grave. É considerada actualmente como uma tragédia humana. A epidemia incidiu sobre países com sistemas de Saúde muito frágeis”, admitiu Luís Gomes Sambo na ocasião.

Recordou que a epidemia foi anunciada a 21 de Março último, após confirmação laboratorial, mas que os primeiros casos sobre “uma doença estranha”, numa aldeia da Guiné Conacri, surgiram em Dezembro de 2013.

Contudo, a OMS só foi oficialmente notificada a 13 de Março, tendo enfrentado, nas semanas seguintes, uma falsa situação diminuição dos casos participados no país de origem.

“Algumas populações na Guiné estavam a esconder os casos das pessoas infectadas com o vírus Ébola. Estavam, algumas delas, a negar a existência da doença, outras não faziam confiança nos serviços de Saúde, nos agentes de Saúde. E, assim, a notificações de casos diminui. Foi uma falsa informação que tivemos”, reconheceu.

O novo comissário europeu para os Assuntos Humanitários, Christos Stylianides, nomeado também coordenador da União Europeia para o Ébola, vai em meados de Novembro aos três países mais atingidos por um surto do vírus.

O comissário cipriota e o seu homólogo europeu da Saúde, o lituano Vytenis Andriukaitis, vão visitar a Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri, anunciou hoje o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

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