Laurinda Gouveia e Baixa de Casanji encabeçaram hoje uma marcha pacífica que, em Luanda, visava chamar a atenção dos poderes instituídos para a constante violação dos direitos humanos. Como sempre, a resposta das autoridades foi… porrada neles.

A marcha deveria ter acontecido no chamado triângulo da Shoprite, ao Palanca, estrada Viana-Luanda. De acordo com os organizadores, trava-se de um evento que pretendia sensibilizar a sociedade, numa altura em que Angola vai integrar como membro não-permanente o Conselho de Segurança da ONU, para os direitos de cidadania, constantemente violados.

A notificação da marcha junto do Governo Provincial de Luanda foi assinada por Solange Gomes Oliveira, Meury Fernandes Gomes de Morais, Manuel Esteves Calado, Odair Fernandes do Nascimento Satiro, Rosa Kassu Konde e Laurinda Manuel Gouveia.

À hora do encontro, 8,30, estavam no local mais polícias e agentes da segurança, estes à civil, do que participantes da marcha. Imediatamente, fazendo uso do seu potencial bélico, os agentes levaram vários dos organizadores para a esquadra do Kapalanca, onde permaneceram mais de 30 minutos e foram revistados e ameaçados.

As jovens presentes foram obrigadas a despir-se para uma revista minuciosa, democraticamente imposta e justificada pelo argumento de que poderiam, provavelmente nas partes mais íntimas, transportar qualquer tipo de artefacto bélico que pudesse pôr em causa a segurança do regime.

Depois foram transportados para a região de Calungo e, sempre sob ameaças, acabaram por ficar quatro horas em Catete.

Nessa altura, o Comandante Mateus, da Polícia Nacional, informou os agentes que detinham os jovens de que os deveriam conduzir para a casa de Nito Alves, outro dos jovens participantes e persona non grata do regime, alegando que este era o chefe destes perigosos bandidos.

Perante os protestos dos detidos, que alegavam que não fazia sentido algum serem levados para a cada de Nito Alves, foram selvaticamente agredidos pelos agentes, tendo alguns sido transportados para o Hospital de Kapalanca.

No hospital, os agentes disseram aos médicos e enfermeiros presentes que os feridos “só deveriam ser atendidos quando tivessem tempo”.

Entretanto, procurando ajuda, os feridos tentaram telefonar para algumas pessoas, no que foram impossibilitados pelo agente Simão que, inclusive, lhes tirou os telemóveis.

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