O presidente do Tribunal de Contas de Portugal, Guilherme de Oliveira Martins, elogiou hoje a Lusofonia como factor de desenvolvimento, sublinhando, numa conferência do Instituto Benjamin Franklin, em Lisboa, que é preciso combater as desigualdades sociais no mundo.

Ao “falar da Lusofonia e da dimensão da língua portuguesa, da Europa e dos EUA, da verdadeira e nova aliança atlântica – factor de paz e de desenvolvimento -, nós não podemos continuar a aceitar que as desigualdades se agravem e que os mais ricos sejam mais ricos e que os mais pobres sejam mais pobres”, declarou Guilherme de Oliveira Martins.

O presidente do Tribunal de Contas foi o convidado da primeira sessão pública do recém-criado Instituto Benjamin Franklin, tendo como tema: “Lusofonia e Parceria Atlântica”.

Na sessão, que pretendeu assinalar também os 128 anos da Estátua da Liberdade, monumento oferecido pela França aos EUA, estava presente o embaixador norte-americano em Lisboa, Robert A. Sherman.

Oliveira Martins assinalou o valor económico da Lusofonia e disse que a língua portuguesa é hoje a segunda mais falada no hemisfério sul, a seguir ao bahasa (Indonésia) e que, previsivelmente, no final do século XXI vão registar-se mais de 400 milhões de falantes de português em todo o mundo, sendo actualmente a terceira língua europeia mais falada a nível global.

“A língua portuguesa é uma língua de várias culturas e é uma cultura de várias línguas. Não se trata de um paradoxo. É uma língua que permite a vários Estados terem língua de comunicação que permite garantir a coesão nacional. Não é possível pensarmos na unidade nacional de Moçambique ou Angola sem uma língua nacional, como a língua portuguesa”, afirmou.

Oliveira Martins vincou que “a Lusofonia é uma entidade complexa, diversa, aberta e plural”, acrescentando que a língua pode ter um papel importante na “cultura da paz”, onde os conflitos devem ser resolvidos de forma pacífica.

“Desta forma podemos ter liberdade, igualdade e fraternidade”, sublinhou Guilherme de Oliveira Martins.

Referindo-se às relações atlânticas, Oliveira Martins sublinhou a necessidade de “parcerias de solidariedade” entre a Europa e os EUA e que hoje o mundo se caracteriza por “polaridades difusas”, onde já não há duas superpotências, facto que obriga a alianças estáveis e à criação de mecanismos de relacionamento que ainda, disse, ainda não existem na Europa, por exemplo, na relação com a Rússia.

O próximo debate do Instituto Benjamin Franklin, de que fazem parte deputados do PSD, do PS e o secretário-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre outros, vai ter como tema “Os pais fundadores da nação americana”, nomeadamente George Washington (1732-1799), primeiro presidente dos EUA.

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