Representantes de associações de jovens empresários da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) aprovaram hoje uma proposta para a criação de uma confederação, para potenciar negócios e ultrapassar os constrangimentos ainda existentes.

A decisão foi tomada no final dos trabalhos da reunião das Associações de Jovens Empresários e Executivos dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu na Cidade da Praia, sob o lema “Que Políticas Públicas para Promover e Facilitar o Empreendedorismo Jovem no Espaço da CPLP?”.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da Associação dos Jovens Empresários Cabo-Verdianos (AJEC), Paulino Dias, adiantou que, além da confederação, foram aprovadas outras quatro propostas que serão apresentadas aos governos dos nove (por enquanto) Estados membros da CPLP – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“Extremamente necessária e pertinente”, considerou Paulino Dias, é uma maior dinamização e divulgação dos benefícios e incentivos já existentes entre os países da CPLP ou para os países da CPLP.

Nesse âmbito, adiantou, estão a Lei para o Crescimento e Oportunidade de África (AGOA, na sigla inglesa – African Growth and Opportunity Act), os acordos de livre comércio ou de circulação de pessoas e bens na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que integra Cabo Verde e a Guiné-Bissau.

Da reunião saiu também a proposta de facilitação de vistos a jovens empresários de associações devidamente credenciadas, “para uma melhor circulação dentro do espaço da CPLP”, através de mecanismos que podem ser, mais tarde, refinados.

A quarta e última proposta aprovada foi a da criação “urgente”, dentro dos ministérios dos Negócios Estrangeiros dos Estados membros da CPLP, de uma unidade de “business intelligence”, para que se faça uma recolha, sistematização, análise e disseminação de oportunidades de negócio, de regras e procedimentos de acesso aos mercados e respectivos dispositivos de financiamento.

A última proposta passa pela criação de mecanismos de acesso do sector privado, “com especial ênfase nas micro e pequenas empresas”, dentro do espaço CPLP.

Questionado pela agência Lusa se a confederação dos jovens empresários não choca com os interesses da recentemente criada Confederação Empresarial da CPLP, Paulino Dias salientou tratar-se de um “complemento”, uma vez que os mais novos têm problemas específicos e que requerem, por isso, uma abordagem também específica.

Sobre os principais constrangimentos da classe, Paulino Dias destacou que o maior, transversal, está ligado à circulação de pessoas e bens dentro do espaço da CPLP, uma vez que ainda não se deram os passos necessários para que se possa exportar, com maior facilidade, bens e serviços para dentro do espaço lusófono.

“Dentro de cada país, identificamos problemas quase comuns, relacionados com o acesso ao crédito, burocracia do Estado, regulamentação e normativos existentes, que criam dificuldades às pequenas e médias empresas que não têm estruturas adequadas para lidar com essas exigências e normativos”, concluiu.

O evento, promovido pela AJEC, contou com a participação das associações de jovens empresários de Angola (Prestígio), Brasil (CONAJE), Guiné-Bissau, Moçambique (ANJEM), Portugal (ANJE), São Tomé e Príncipe (AJESTP) e Timor-Leste (ANJET).

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