Os incidentes na província de Tete, nas eleições gerais de Moçambique, na quarta-feira, envolvendo destruição de postos de votação e material eleitoral, ocorreram em mais cinco regiões, além do distrito de Tsangano, informou a Comissão Provincial de Eleições.

Um relatório do órgão eleitoral na província de Tete, citado hoje pelo jornal Notícias, refere que a destruição aconteceu numa escala maior do que inicialmente se acreditava, pois houve registo de distúrbios também nos distritos de Macanga, Angónia, Chifunde, Moatize e Mutarara.

O presidente da Comissão Provincial de Eleições em Tete, Eduardo Sinalo, disse que os danos, alegadamente protagonizados por membros da Renamo, principal partido da oposição, atingiram no total 22 assembleias de voto: 12 em Macanga e 10 em Tsangano.

Na quarta-feira, dia de votação, a organização da sociedade civil Centro de Integridade Pública (CIP) de Moçambique informou que membros da Renamo destruíram material eleitoral em três assembleias de voto na província de Tete, noroeste de Moçambique, alegadamente por terem descoberto urnas contendo boletins de voto previamente preenchidos.

De acordo com o boletim publicado por aquela organização e pela Associação dos Parlamentares Europeus para a África (AWEPA), os supostos membros da Renamo argumentaram que as urnas das assembleias de voto em Chicabula-Diwa, Chiandame e Gumbacere, distrito de Tsangano, passaram pelas casas de líderes comunitários, antes das eleições gerais, onde terão sido enchidas com boletins de voto já marcados.

Segundo o boletim do CIP e da Awepa, houve confrontos entre a Polícia da República de Moçambique (PRM) e a população, que resultaram na detenção de 11 indivíduos, cinco em Chicambula e seis em Chiandame, e dois feridos.
As escolas onde decorria a votação foram encerradas e um agente da polícia, que fugiu dos tumultos em Gumbacere, deixou para trás uma arma AKM.

Na quinta-feira, a Comissão Provincial de Eleições em Tete enviou uma equipa para investigar o caso, e, hoje, a Agência de Informação de Moçambique indicou que a Comissão Nacional de Eleições terá de decidir se haverá repetição de eleições naqueles distritos.

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados na quarta-feira para escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais.

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