A chefe de operações eleitorais da comissão distrital da cidade da Beira, centro de Moçambique, foi detida por troca de editais e suspeitas de fraude. Boatos, com certeza. Ninguém acredita que tal foi possível.

Daniel Macuácuá, porta-voz do Comando da Polícia de Sofala, disse que a funcionária da entidade eleitoral foi apanhada a alegadamente a trocar editais de votos contabilizados pelo STAE (Secretariado Técnico de Administração Eleitoral) do distrito da Beira.

“A informação detalhada será encaminhada para o nível do comando provincial, e a nessa altura diremos as circunstâncias da detenção desta funcionária”, afirmou Daniel Macuácuá.

O diário electrónico CanalMoz avançou hoje (terça-feira) que a funcionária da Comissão de Eleições da Cidade (CEC) da Beira foi detida por suspeita de desvio de votos e falsificação de dados informáticos na sala de operações local.

A funcionária, segundo o CanalMoz, manteve movimentos suspeitos no período do almoço, ao convidar todos os colegas para tomarem a refeição fora do recinto, contrariamente ao habitual, deixando vazia a sala de processamento de dados, onde estavam armazenados todos os editais da cidade.

Já ao fim do dia, segundo o diário electrónico, a funcionária foi encontrada com novos editais que contradiziam os dados lançados no sistema no período da manhã, o que foi por ela justificado com a recepção de mais editais enviados por colegas do STAE da província de Sofala.

Segundo o jornal, esses editais eram falsos, traziam apenas a assinatura dos respectivos presidentes das mesas e, na maioria, davam vantagem ao candidato presidencial da Frelimo em locais onde a vantagem era do seu adversário da Renamo, principal partido da oposição, Afonso Dhlakama.

O processo de apuramento distrital e provincial dos resultados das eleições gerais de quarta-feira tem sido marcado por queixas dos partidos da oposição sobre alegadas irregularidades e tentativas de fraude, à semelhança de acusações no dia da votação.

As conclusões das missões internacionais de observação eleitoral, anunciadas na sexta-feira, têm em comum a referência de irregularidades, mas insuficientes para influenciar o processo eleitoral.

A maioria dos cerca de 500 observadores internacionais já terminou o seu trabalho e restam poucos no acompanhamento do processo de contagem.

Apesar de o STAE ter interrompido na sexta-feira a divulgação de resultados nacionais, enquanto decorrem os apuramentos distritais e provinciais, dados publicados pelo jornal Domingo, detido pelo Estado, com base nas entidades eleitorais, davam conta de que Filipe Nyusi (Frelimo) conservava a liderança na contagem das presidenciais, quando estavam processadas mais de metade das mesas de voto.

Nyusi seguia à frente, com 62,13% dos votos, seguido de Afonso Dhlakama, presidente da Renamo, com 31,06%, e de Daviz Simango, líder do MDM (Movimento Democrático de Moçambique), com 6,81 porcento.

O jornal não fazia referência aos resultados das legislativas, remetendo para uma projecção do Observatório Eleitoral, a maior entidade de observação da votação, que na segunda-feira actualizou os seus dados, dando 57% à Frelimo, 32% à Renamo e 10% ao MDM, e prevendo uma abstenção de 51%.

Mais de dez milhões de moçambicanos foram chamados a escolher um novo Presidente da República, 250 deputados da Assembleia da República e 811 membros das assembleias provinciais.

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