Mais de 60 famílias que se dedicam há anos à exploração de sal no Lobito, na província angolana de Benguela, estão a ser expulsas das salinas pela administração municipal sem qualquer indemnização nem aviso prévio, revela a Voz da Alemanha.

S egundo populares, as salinas existem há décadas, quando ainda não existia o chamado “Bairro Cabaia”, onde vivem mais de 60 famílias que sobrevivem da exploração de sal natural.

Contam que foram parar àquela área depois de lhes terem sido retiradas as suas lavras. Foi nas salinas que encontraram uma fonte de sustento para poderem alimentar os seus filhos e mandá-los para a escola, conta o salineiro Horácio Kambuta.

“Estão a entulhar as nossas próprias salinas sem nos indemnizarem. As salinas são os nossos fundos. A maior parte da população que está cá sobrevive das salinas”, explica o jovem.

Presume-se que estas famílias estejam a ser expulsas da referida área para dar lugar a um projecto imobiliário. Por isso, Horácio Kambuta pergunta às autoridades angolanas se com esta acção não estariam a combater os pobres ao invés da pobreza.

“É como se não pertencêssemos à mesma Angola, como se não fossemos filhos do próprio país. Sentimo-nos desprezados porque não respeitam os próprios angolanos”, lamenta o jovem salineiro.

José Manuel, de 63 anos, que até aqui sobrevivia da exploração de sal natural, vê mais uma vez agravada a sua situação social e económica. O antigo combatente lamenta a atitude das autoridades locais.

“O povo votou no MPLA. Como é possível que todas estas famílias que se encontram aqui, onde têm as suas parcelas, não tenham sido indemnizadas?”, questiona.

O caso está a ser acompanhado pela organização não governamental OMUNGA. A associação da sociedade civil considera que, em primeiro lugar, deveria ser feito um estudo de impacto ambiental antes de se proceder ao entulhamento das salinas do Lobito.

A ONG angolana acredita que a produção de sal natural marinho deveria ser protegida e que a zona deveria ser classificada como de interesse ecológico.
Por outro lado, a OMUNGA entende que qualquer acção das autoridades não deve perder de vista o facto de aquela zona ser a única fonte de rendimento para muitas famílias.

Fonte: DW África

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