Nós somos muito ingénuos e ignorantes, porque não estudámos na Universidade do Catambor nem na de BáCu. Ainda não percebemos porque há a necessidade de, em Angola, existirem ministros, secretários de Estado, governadores provinciais, pedreiros, carpinteiros, deputados, juristas, politólogos, polícias, militares, professores, estudantes, agricultores, empresários e empregadores e empregados em muitas outras actividades, se tudo o que se faz em Angola é obra de Zédu.

Por Domingos Kambunji

O país não necessita de importar tecnologia e mão-de-obra especializada de países estrangeiros. O Zédu, sozinho, é capaz de imaginar tudo, inventar tudo e fazer tudo. Ele é o Faz-Tudo em Angola.

Se tudo o que se faz em Angola depende da visão, do planeamento e do trabalho de Zédu, os angolanos que estão empregados em todos os ramos de actividade da Reipública de Angola são todos uma cambada de parasitas, sobrevivem ou prosperam à custa do labor e do suor de uma só pessoa, Zédu.

As nossas ingenuidades e ignorâncias não nos permitem compreender como é que o homem consegue exercer tantas profissões e estar em todas as cidades, municípios, comunas, sanzalas e musseques, ao mesmo tempo. O homem só poderá ser sobredotado e ultrapassa, largamente, os poderes que a ficção atribuiu ao Superman, ao Batman, ao Hulk e, sobretudo, ao Speedy Gonzalez.

Nem a Coreia do Norte ou a Rússia conseguem ter um cidadão assim tão completo e polivalente, tão eficiente. É a maior injustiça ainda não terem atribuído todos, mas mesmo todos, os prémios Nobel, em todas as modalidades, passados, presentes e futuros, ao Rei-Presidente da Reipublicana-Monarquia de Angola, Zédu.

Estes argumentos servem de motivo para favorecer o surgimento de muitas paranóias, sobre os perigos de alteração da “ordem pública” (ou será ordem púbica?), nas cabeças dos Bentos Benzidos pelos Kaenches, dos Bolhas e Bolores da propaganda e informação, ou no Ministro do Interror e Administração do território da Reipública. Eles receiam a estagnação e eutrofização de Angola. Sem Zédu no poder e a fazer, Angola deixará de ser a maior potência regional e mundial, que os demagogos da propaganda tentam demonstrar ser, com as suas lengalengas em campanhas de propaganda e marketing da banha da cobra.

O grande senão reside no facto de o país estar demasiado carente e deficiente em serviços de psiquiatria. Assim, os Altos diGerentes da Reipublicana-Monarquia não têm o apoio médico necessário para o tratamento das suas paranóias.

É natural que assim aconteça porque o Rei-Presidente, na visão, planeamento e implementação, consome mais kumbu nas artes da guerra e da morte do que nas artes de prevenção e tratamento das paranóias dos seus kapangas, consumindo mais kumbu nas artes da guerra e da morte do que nas artes de instruir e educar os jovens angolanos para maximizar os potenciais de inteligência para a construção de um país melhor, mais justo e verdadeiramente democrático.

O Ministro do Interror e Administração do Território da Reipública e os Bentos Benzidos pelos Kaenches não têm que temer a alteração da ordem imposta pela ditadura da Reipública. O MPLA tem hoje em dia um potencial bélico capaz de executar umas dezenas largas de acções to tipo 27 de Maio e de calar definitivamente, “democraticamente”, uma dúzia ou mais de milhões de cidadãos angolanos que, imaginária ou efectivamente, façam perigar a continuidade do poder feudal dos grandes heróis do Kuito-Carnaval. Se for necessário, o MPLA pode fuzilar toda a população nacional para impedir a violação do perímetro de segurança do palácio presidencial.

A única contrariedade reside no facto de haver instituições internacionais, neste momento, a investigarem os crimes contra a humanidade praticados pelo Poder Prapular do Reigime angolano, contra cidadãos das Lundas e do resto do território.

A ONU vai declarar crimes contra a humanidade, sujeitos à justiça do Tribunal Penal Internacional, os abusos de poder da Coreia do Norte. Angola passa assim a estar numa situação muito vulnerável, mais insegura para reeditar Vinte Setes de Maio e tentar demonstrar de que é honesto e independente o sistema judicial que está a julgar os casos Kassule e Kamulimgue e a fechar os olhos aos casos Ganga e à actuação dos carrascos que, violando a “famosa” Constituição Faz-de-Conta, reprimem o direito à manifestação de opiniões.

Alguém referia, com um enorme regozijo, o facto de serem aos milhares, muitos milhares, os cidadãos de outros países a querem emigrar para Angola. A realidade demonstra que a grande maioria desses muitos milhares de imigrantes transferem as suas poupanças para os países de origem ou para instituições bancárias internacionais, onde existe maior segurança para guardarem ou investirem os seus pés-de-meia. O Grande exemplo começa com os Generais e os Kapangas presidenciais que transferem o kapiango de capitais para paraísos fiscais, bem longe dos seus kimbos e palácios nacionais.

Afinal a competência e eficiência de Zédu, o Rei-Presidente da Nação, nada mais é do que uma falaciosa ficção.

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