O novo comissário europeu para as migrações prometeu hoje, numa conferência em Itália, que a União Europeia (UE) terá, em breve, um plano abrangente de combate às redes de tráfico.

Naquela que foi uma das primeiras intervenções do grego Dimitris Avramopoulos como comissário europeu para a Migração, Assuntos Internos e Cidadania, ficou a garantia de que a nova Comissão Europeia tem uma “forte vontade política” de dificultar a vida às redes criminosas que exploram as pessoas que, em desespero, deixam os seus países de origem, em viagens arriscadas.

“Muito tem sido feito, mas mais precisa de ser alcançado”, admitiu Dimitris Avramopoulos, na sessão de abertura da conferência dedicada ao tema das migrações internacional organizada pela Agência para os Direitos Fundamentais da UE, que decorre hoje e na terça-feira, em Roma, capital italiana.

Uma das “prioridades máximas” da nova Comissão Europeia é desenvolver “um plano abrangente da UE para combater as redes de tráfico de imigrantes”, referiu Dimitris Avramopoulos.

Destruir o actual “modelo de negócio” e reforçar investigações e punições para quem ganha dinheiro à custa dos imigrantes não será tarefa fácil, porque “a impunidade é crescente” e “algumas redes criminosas são mais bem organizadas do que os próprios Estados”, reconheceu.

“Agradeço que me desejem sorte, porque vou precisar dela, mas estamos determinados a fazer mais”, asseverou, frisando que o objectivo, a longo prazo, é “erradicar o fenómeno” das redes de tráfico e contrabando.

Para tal, é fundamental a cooperação com Estados terceiros e o reforço do diálogo com os países de origem e de trânsito, disse o comissário, anunciando que tenciona visitar todas as nações envolvidas nas rotas migratórias contemporâneas.

Essas visitas, precisou, contarão também com outros dois comissários europeus: Federica Mogherini, alta representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, e Christos Stylianides, responsável pela ajuda humanitária e pela gestão de crises.

Reconhecendo os “tempos difíceis”, Dimitris Avramopoulos frisou que “as tragédias relacionadas com os migrantes que tentam chegar à Europa não podem repetir-se”, sendo, por isso, “urgente agir”.

O comissário sustentou que “um elevado nível de segurança nas fronteiras é compatível com a protecção dos direitos dos imigrantes”, nomeadamente os direitos a não serem recambiados para a origem e a pedirem asilo.

Dimitris Avramopoulos desvalorizou as críticas que têm sido feitas à Operação Tritão, da Frontex, agência europeia para a gestão das fronteiras, que a 01 de Novembro sucedeu à Operação Mare Nostrum, gerida por Itália e que, durante um ano, salvou perto de 150 mil migrantes e refugiados de morrerem nas águas do Mediterrâneo.

Na opinião do comissário, a nova operação “não tem como objectivo a busca e o salvamento, mas pode ajudar os Estados-membros a lidar com o fenómeno” das migrações, e “todos têm de contribuir para este esforço”.

O comissário frisou que “a protecção e a promoção dos direitos dos imigrantes, independentemente do seu estatuto, não são opcionais”.

Os fluxos migratórios são “um problema pan-europeu” e não apenas dos países mais a sul, frisou ainda. E, dirigindo-se à presidente da Câmara dos Deputados italiana, que acolheu o primeiro dia de debates da conferência, garantiu: “A Itália não está sozinha.”

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