O vice-presidente da Escom Eugénio Vale Neto diz em comunicado que está a contestar os juros do empréstimo que tem do BESA, justificando assim a sua situação de incumprimento.

Eugénio Vale Neto, o empresário angolano que alegadamente terá beneficiado de empréstimos do Banco Espírito Santo Angola (BESA) no valor de 1,5 mil milhões de dólares, diz que a sua relação comercial com o banco se encontra em fase de “contestação” e contesta os montantes que têm sido referidos, embora omita qual é efectivamente o valor em causa. Eugénio Vale Neto é vice-presidente da Escom, uma participada do Grupo Espírito Santo (GES) e membro do MPLA, o partido no poder em Angola.

A nota agora divulgada ocorre passado algum tempo de o Expresso e o Maka Angola referirem dívidas do empresário ao BESA com valores que vão de 500 milhões a 1,5 mil milhões de dólares, ainda antes da intervenção do BESA por parte das autoridades angolanas.

Numa nota de esclarecimento assinada pelo gabinete de assessoria E.N. Link Services, Eugénio Vale Neto diz que os valores que têm vindo a público estão “desfasados da realidade” e que a sua situação de incumprimento em relação ao banco resulta da “contestação” que entretanto fez dos “juros cobrados pelo banco”.

O empresário afirma ainda que as operações de crédito que fez com o BESA “estão suportadas por garantias reais, em regime hipotecário, antecipadamente avaliadas, em cada crédito contratado, por entidade idónea indicada pelo banco” e que o capital que lhe foi disponibilizado pelo BESA “está coberto” por essas garantias.

Quanto à regularização da sua situação com o banco, Eugénio Vale Neto explica que “as duas partes decidiram proceder a uma revisão geral do processo que está em curso há já algum tempo”, sem adiantar qualquer prazo para a sua conclusão.

O BESA foi intervencionado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) em Agosto deste ano, na sequência da resolução que o Banco de Portugal decidiu aplicar ao Banco Espírito Santo BES, que detinha 55,71% do BESA e que se materializou na separação dos activos deste último. Os activos bons ficaram no então criado Novo Banco e o BESA permaneceu no BES, onde se juntaram os activos considerados tóxicos.

A 20 de Outubro o Novo Banco e o BNA chegaram a um acordo para resolver a questão do empréstimo de 3,3 mil milhões de euros que o BES havia feito ao BESA. O Novo Banco recuperou 780 milhões de euros, sendo que parte deste montante seria transformado numa posição accionista de 9,9% no BESA, no âmbito do plano de recapitalização deste último.

No final do mês de Outubro, uma assembleia-geral de accionistas do BESA, onde não esteve presente o BES, decidiu alterar a estrutura accionista e a identidade do banco. O BESA passou a chamar-se Novo Banco e entraram para o capital a Sonangol e a Lektron, um fundo chinês. O BES já anunciou que vai contestar esta assembleia-geral.»

Autor: Celso Filipe
in: http://www.jornaldenegocios.pt

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