A Universidade de Coimbra (Portugal) vai acolher este ano lectivo 140 alunos estrangeiros ao abrigo do novo Estatuto do Estudante Internacional, que, num contexto de cortes de financiamento público, representam uma receita própria adicional de um milhão de euros anual.

Pela primeira vez este ano lectivo, com a publicação há meses do Estatuto do Estudante Internacional, o ensino superior português vai poder acolher estudantes estrangeiros, cobrando propinas com base no custo real dos cursos por aluno, e não nos limites máximos fixados pelo Estado para os estudantes nacionais.

De acordo com o vice-reitor de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, dois terços dos candidatos admitidos são brasileiros e o segundo país mais representado é Angola.

Os alunos terão que passar este ano por “um ano zero” de preparação, no fim do qual prestarão provas elaboradas pela Universidade para então ingressarem nos cursos a que se candidataram.

Direito, Engenharia Civil, Economia, Arquitectura, Jornalismo e Relações Internacionais são os cursos mais procurados pelos estudantes que vão pagar uma propina anual de sete mil euros, bastante superior aos cerca de mil euros que pagam os alunos portugueses.

A aprovação já bastante próxima do início do ano lectivo do novo estatuto não deu tempo às universidades de se promoverem no estrangeiro. Coimbra vai lançar campanhas para atrair estudantes internacionais no Brasil e na China, os dois mercados em que está mais focada.

As expectativas, disse João Gabriel Silva, são de crescimento de alunos e receitas, que a universidade quer que atinjam os quatro a cinco milhões anuais ao longo dos próximos anos.

Na Universidade do Porto, das 344 vagas disponíveis para estes alunos, a instituição matriculou apenas 11 dos 26 candidatos, que procuraram sobretudo os cursos de Direito, engenharias e Línguas e Relações Internacionais.

A universidade vai cobrar entre 3.500 a 8.000 euros anuais, dependendo dos cursos.

A instituição, que tem um orçamento anual a rondar os 200 milhões de euros, capta a maioria das suas receitas próprias através de fundos comunitários destinados a apoiar a investigação e ciência, tendo criado para o efeito uma equipa profissional apenas para procurar programas internacionais e preparar as candidaturas.

Também a Universidade de Lisboa aposta fortemente no financiamento comunitário para contrariar as quebras nas verbas transferidas pelo Estado, até porque, referiu o vice-reitor da instituição Eduardo Pereira, “há muito tempo que o Orçamento do Estado não é suficiente para pagar salários”.

Em Lisboa ainda não há dados sobre o número de candidatos internacionais aos cursos da universidade, mas o vice-reitor adianta que há candidatos nas várias faculdades, ainda que “em número reduzido”.

Coimbra e Lisboa partilham uma mesma preocupação relativamente à diminuição do investimento público no ensino superior, que se prende com os efeitos no corpo docente universitário, impedido de se renovar.

“O impacto mais substancial é o do envelhecimento do corpo docente. É uma espécie de bomba-relógio. O conhecimento não se transmite só pelos livros. Os professores mais velhos deveriam poder transmitir aos mais novos os conhecimentos adquiridos pela experiência”, sublinhou o reitor de Coimbra.

O vice-reitor Eduardo Pereira disse que na Universidade de Lisboa “a renovação de pessoal é cada vez menor” e sublinhou que “com menos não se pode fazer mais”.

Globalmente, para os alunos internacionais foram este ano abertas 7.053 vagas no ensino público e 2.968 vagas no privado.

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