Os países da África subsaariana encontram-se mal equipados diante da ameaça do Ébola, pois faltam infra-estruturas e equipas sanitárias de base, pelo que não surpreende a existência de uma epidemia de grandes proporções, segundo os especialistas.

Apesar da existência de alguns centros regionais com hospitais e laboratórios especializados — África do Sul, Quénia, Costa do Marfim, Nigéria ou Senegal, os dois últimos com contaminações do vírus Ébola circunscritas, provenientes dos países mais afectados –, há regiões inteiras que são desertos para as infra-estruturas médicas.

Os estragos da epidemia de Ébola colocam “cruelmente a nu o atraso no desenvolvimento africano”, sublinhou o presidente do Banco Mundial e também médico, Jim Yong Kim.

“O vírus Ébola nunca enfrentou um sistema de saúde moderno de um país desenvolvido”, disse Jim Yong Kim, lembrando que com “estes elementos fundamentais, a taxa de sobrevivência poderia se mais elevada”.

“Nós não precisamos de um grande número de especialistas ou de médicos estrangeiros, mas de pessoal que possa fornecer cuidados elementares, uma atenção meticulosa ao equilíbrio hidroelectrolítico (equilíbrio entre a água e os minerais que o corpo precisa) e outros medicamentos simples”, explicou Tom Kenyon, especialista do Centro de Controlo de Doenças (CDC), dos EUa, no fim de uma missão à Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri, no início de Setembro.

Ao contrário destes países, que dispõem de um médico para 100 mil habitantes, a África do Sul, com uma proporção 80 vezes maior, “é relativamente bem preparada”, indicou Lucille Blumberg, directora adjunta do Instituto Nacional para as Doenças Contagiosas daquele país.

A África do Sul, com pacientes africanos mais ricos, conta com 11 hospitais públicos que podem acolher doentes do Ébola e outras clínicas privadas, sublinhou a responsável do único estabelecimento do continente que possui um laboratório antivírus de alta segurança.

“O Ébola pode espalhar-se aqui como em qualquer lugar” disse o médico Joseph Teeger, “mais aqui, será mais fácil de isolar as pessoas e impedir a circulação”.

Na fronteira da Libéria com a Guiné-Conacri, a Costa do Marfim preparou 16 centros para a epidemia do Ébola, dos quais 14 nas províncias, e várias centenas de agentes de saúde.

“Há um sistema de saúde, hospitais e laboratórios”, disse Lina Elbadawi, epidemiologista do CDC, em missão em Abidjan. “O principal é que nós não deixámos nada de lado”, referiu.

Os restantes países da África subsaariana estão a tomar medidas, na maioria dos casos insuficientes para um possível cenário de combate do vírus do Ébola.

O número de vítimas mortais da epidemia de Ébola, sobretudo na África Ocidental (Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa), já ultrapassou os três mil, cerca de metade dos 6.500 casos recenseados, segundo a Organização Mundial de Saúde.

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